Rui Borges, o treinador do Sporting, partilhou as suas reflexões sobre a notável campanha da equipa na Liga dos Campeões e a sua própria jornada profissional. As suas palavras, proferidas em entrevista à UEFA, revelam a ambição e o orgulho de um percurso que começou longe dos holofotes, na sua terra natal. “A equipa tem tido uma ambição infinita, mas também um rigor e um compromisso fantásticos, e isso levou-nos a fazer aqui uma campanha maravilhosa”, afirmou Borges, sublinhando o empenho dos seus jogadores e a conquista de um patamar que poucos esperariam. “Para mim, como treinador, foi muito bom. A primeira época em que levo a Champions desde o início e acabar entre os oito primeiros, no meio dos melhores, era impensável. Acho que ninguém em Portugal acreditaria que o Sporting ficasse nos oito primeiros”, evidenciou, realçando o ineditismo e o mérito do feito leonino.
O treinador não esconde a satisfação com a trajetória do Sporting na competição europeia, mas também projeta o futuro com confiança. “Queremos estar entre os melhores e disputar esta Champions até ao fim da melhor maneira, continuando a marcar a história do Sporting nesta competição”, declarou, traçando metas elevadas para a equipa. A sua ascensão no futebol português é um exemplo de dedicação, como o próprio fez questão de frisar. “A sorte dá trabalho e nós tivemos oportunidades difíceis, mas soubemos agarrá-las e isso ditou aquilo que foi o nosso trajeto, o meu trajeto, porque, se em algum momento não fôssemos capazes, o trajeto teria sido outro e se calhar ainda hoje treinava o Mirandela”, confessou, revelando a humildade que o caracteriza, mesmo após alcançar o sucesso em Alvalade.
A ligação de Rui Borges às suas origens é inabalável. O treinador mantém uma conexão profunda com Mirandela, a sua terra natal, e lembra os tempos em que tudo começou. “Mirandela diz-me muito e o clube em si diz-me muitíssimo, porque me deu essa oportunidade de crescer como atleta e de correr atrás de um sonho”, partilhou, evocando o ponto de partida da sua carreira. Curiosamente, um simples relógio Casio acompanha-o em todos os jogos, tornando-se um símbolo da sua trajetória. “Habituei-me a ele. É algo que me identifica, é simples, é puro, tal como eu”, explicou. “Identifica muito aquilo que tem sido o nosso trajeto, não só o meu, mas o da equipa técnica, e simboliza tudo o que fomos capazes de ultrapassar ao longo destes anos, até chegar ao Sporting”, concluiu, reforçando a ideia de que o objeto é um espelho da sua personalidade e do seu percurso profissional.