O Benfica alcançou uma vitória apertada frente ao Gil Vicente, por 2-1, num jogo que gerou debate e análise entre os seus adeptos e especialistas, especialmente antes do Clássico. As reações recolhidas pelo Record apontam para um triunfo sofrido, mas crucial na corrida pelo título, com a atuação de Andreas Schjelderup a ser destacada como fundamental.
Camilo Lourenço, analista económico, expressou a sua preocupação com o desempenho da equipa, apesar da vitória. Segundo ele, “Ataque perdulário, falhas na defesa… É difícil entender como é que, tão tarde na época, a equipa tarda em acertar, ainda para mais com os lesionados de volta! Prestianni não esteve bem e pareceu afetado… Valeu a inspiração de Schjelderup, que subiu muito de rendimento. E o regresso do Rafa deu outra dimensão ofensiva à equipa. Não percebi os critérios da arbitragem.” A sua análise sublinha as dificuldades defensivas e a ineficácia no ataque, realçando a importância da performance individual de Schjelderup e do regresso de Rafa Silva.
Álvaro Magalhães, antigo jogador, considerou a vitória de grande importância para as aspirações do clube. “Foi uma grande vitória, numa saída difícil. O Benfica tinha de ganhar para deixar a decisão para o próximo domingo. E, se vencer o FC Porto, relança o campeonato. Com as 3 equipas ali muito perto umas das outras, vamos ter campeonato até o fim”, afirmou. Esta perspetiva reforça a ideia de que o resultado em Barcelos era imperativo para manter a pressão sobre os rivais diretos, antevendo um final de campeonato emocionante.
Bruno Costa Carvalho, ex-candidato à presidência, também enfatizou a relevância do triunfo, especialmente pela qualidade do adversário e a proximidade do confronto com o FC Porto. “O mais importante era ganhar a uma equipa muito boa, antes do jogo com o FC Porto. A 1ª parte foi razoável, depois o Gil Vicente empatou, mas o Benfica resolveu o problema. Schjelderup é neste momento o jogador em melhor forma. Uma palavra para os adeptos, que tal como em Madrid foram extraordinários.”, declarou. A sua visão destaca a capacidade da equipa de resolver os problemas durante o jogo e a forma física de Schjelderup como um trunfo, sem esquecer o apoio fundamental dos adeptos.
A análise técnica do jogo revela que, embora o Benfica tenha tido mais posse de bola no terço ofensivo (64%) e mais ações com bola na área (32 contra 18 do Gil Vicente), a equipa não esteve tão rigorosa no passe, completando apenas 77% dos 371 passes. O Gil Vicente, por sua vez, destacou-se no drible, com 16 dribles com sucesso, o seu máximo na Liga. Contudo, os gilistas tiveram dificuldades na retaguarda, perdendo a posse por 22 vezes no primeiro terço, um recorde negativo para a equipa.
Em campo, o Benfica soube sofrer para garantir os três pontos. António Silva abriu o marcador aos 35 minutos, e, após o empate de Héctor Hernandez aos 52 minutos, Andreas Schjelderup selou a vitória com um golo belíssimo aos 73 minutos. A gestão do resultado nos minutos finais foi crucial, beneficiando da descrença dos gilistas. O norueguês, apesar de uma exibição inconstante, foi decisivo, marcando o seu sexto golo da temporada.
Héctor Hernández, na sua estreia como titular, aproveitou a oportunidade para se destacar, marcando o golo do empate e ameaçando a baliza de Trubin. Já Leandro Barreiro e Prestianni, apesar de algumas tentativas, não tiveram o impacto esperado, com Prestianni a demonstrar alguma falta de desequilíbrio, especialmente na primeira parte. César Peixoto, técnico do Gil Vicente, elogiou a personalidade da sua equipa e a forma como conseguiu travar Rafa Silva, mas não foi capaz de superar a organização defensiva do Benfica.
José Mourinho, treinador do Benfica, reconheceu o início apático da sua equipa, mas elogiou a capacidade de reação e as alterações táticas, como as entradas de Richard Ríos, Lukabakio e Alexander Bah, que foram cruciais para a virada e a contenção dos ataques adversários. Sobre a arbitragem, Mourinho criticou a decisão do juiz João Gonçalves em lances de possível grande penalidade, embora as repetições televisivas não ofereçam clareza absoluta sobre as decisões. A vitória permite ao Benfica continuar na perseguição ao título, com o Clássico contra o FC Porto a figurar no horizonte como um teste decisivo.