Rui Borges, técnico do Sporting, fez a antevisão do confronto contra o Moreirense para a 23.ª jornada da Liga portuguesa, em Alcochete. O duelo é particularmente emotivo para o treinador, que deixou clara a sua ligação ao clube minhoto: “Para mim é especial porque é voltar a uma casa que me ajudou, ficarei sempre grato. É sempre especial. Um clube muito organizado que tem vindo a crescer nos últimos anos, atingindo um estatuto muito bom. Equipa coesa, que perde pouco a bola e que em sua casa é sempre perigosa. Tem feito um bom trabalho nesse sentido, com um crescimento e um trajeto espetacular do Vasco [Botelho da Costa]. É também um campo difícil para o Sporting nos últimos anos. Espera-nos um jogo difícil, faremos tudo para ganhar.”
A pressão constante por vitórias e o estilo de jogo da sua equipa foram outros dos pontos abordados pelo treinador leonino: “Pressão faz parte do dia a dia, é natural. Em termos mentais, é normal que haja essa pressão de ganhar. A malta estava habituada que o Sporting aos 15 minutos estivesse a ganhar 2-0, mas nem todos os jogos podem ser assim. Mas temos jogado bem. O duelo com o Famalicão foi o jogo com mais cantos ganhos na Liga portuguesa. O adversário precisa cada vez mais dos pontos, defende melhor. A mim satisfaz-me é ganhar. Se ganhar 1-0 até ao fim, não me chateio.”
O técnico reforçou: “Não é o pragmatismo, apenas temos de fazer uma segunda volta melhor. Não ficámos em primeiro por isso temos de fazer melhor. As equipas vão ser mais competitivas na segunda volta e os jogos também poderão ficar mais feios, porque todos só pensam em ganhar. Às vezes esse pragmatismo pode levar-nos a pensar que temos de marcar e que temos de fazer um golo se não perdermos. Mas não tenho dúvidas de que isso não vai afetar a mentalidade dos jogadores.”
Rui Borges também teve de lidar com questões sobre o recente “ataque” do FC Porto e a situação de alguns jogadores do seu plantel: “Não vou comentar isso, o presidente já falou o que tinha a falar.”
Sobre a aparente semana tranquila do Sporting em comparação com o Benfica: “Vocês [jornalistas] vão variando a atenção pelos três e isso não vai mexer com o desfecho do campeonato. Pode afetar uma ou outra coisa que ouçam ou leiam, mas não mais do que isso. Foi também importante evitar este dois jogos de Champions com a passagem direta aos oitavos, o que mais dois jogos e um desgaste absurdo.”
O foco do Moreirense em travar o jogo também foi alvo de comentário: “Sei bem o que é o Moreirense a jogar em casa e fora. Numa fase inicial, às vezes as equipas começam a perder tempo para criar alguma expectativa, mas temos de saber aguentar a pressão. O encontro da primeira volta foi dos nossos melhores jogos, mas este será diferente. Espero um Moreirense a tentar dividir o jogo e a querer jogar e muito diferente do jogo da primeira volta.”
Sobre o “tablet” e as críticas do FC Porto, o treinador do Sporting respondeu com ironia: “Sim, cresci nos anos 80, a brincar na rua, com a minha mãe a chamar-me à varanda para ir comer a sopa às 21h30, sem tablets nem novas tecnologias. Com muito boa educação. Depois, se calhar o FC Porto tem razão... Em termos de tablets, imagens e tecnologias está à frente de todos os outros...”
Relativamente à forma de alguns jogadores: “Quanto ao Pote e ao Morita têm estado dentro do expectável, com um bom acerto de passe, assim como o Hjulmand, mas nem sempre podem estar no máximo, faz parte. No último jogo até penso que o Trincão fez o recorde de remates...”
E sobre Luis Suárez: “Também pode ser aos 90', que ele também os tem marcado. É o nosso melhor marcador, que acrescenta muito à equipa com as suas qualidades. Tem marcado muitos golos e é um jogador fora do normal.”
O treinador não esconde a dificuldade do próximo adversário: “Será bater o bloco defensivo. Têm tido grandes equipas nos últimos anos e têm acrescentado bastante juventude. Muito forte coletivamente e no ataque rápido, mas também gostam de ter bola. Depois têm algumas individualidades, como o Alanzinho que tem qualidade para outros voos. Depois há o Maracás e o Gilberto que são dois centrais muito rápidos. E o Dinis Pinto que pode chegar longe. são defesas muito bons e que foram meus jogadores.”