Frederico Varandas, presidente do Sporting, afirmou recentemente que o seu “tricampeonato, se acontecer, é um terramoto para o futebol português. Assusta muita gente”
. Esta declaração reflete uma pressão significativa que sente em relação ao seu trabalho no clube e é um eco do estado de ânimo que permeia o ambiente desportivo em Portugal, especialmente entre os rivais. As conquistas geram um clima de inquietação que não é ignorado pelos outros clubes.
André Villas-Boas, por sua vez, trouxe uma visão mais crítica ao afirmar: “Compreendo a esquizofrenia. Entendo a excitação de alguns meios de comunicação social, claramente alinhados de verde. Não podemos deixar de registrar a onda verde propagada pelos meios de Comunicação Social”
. Estas palavras sublinham a percepção de Villas-Boas de que existe uma narrativa predominante que, aos seus olhos, favorece um dos clubes, refletindo a constante batalha travada nas redes sociais e na imprensa.
Rivalidade no Futebol Português
A rivalidade no futebol português é intensa. Figuras de autoridade como Varandas e Villas-Boas frequentemente emitem discursos que, apesar de parecerem desconexos, revelam uma luta incessante por relevância e legitimação. Bruno Andrade, autor do artigo, expressa apreço pelas duas figuras, mas ressalta que isso não implica a aceitação passiva das suas declarações, que muitas vezes se contradizem.
Andrade observa que a busca por adversários imaginários e histórias que alimentam teorias da conspiração é uma prática comum. Ele afirma: “Em Portugal, não é preciso apenas vencer o Benfica, o FC Porto e/ou o Sporting para ser campeão. É fundamental a construção frequente - e frenética - de adversários imaginários. Os bons e velhos inimigos ocultos.”
Esta dinâmica ilustra como o discurso no futebol pode ser moldado por narrativas de vitimização e de luta contra inimigos invisíveis.
Bodes Expiatórios e Acusações
Nos discursos analisados, a procura de bodes expiatórios é uma constante. Andrade refere que: “Ora é a arbitragem, ora é a Liga ou a FPF. Ora é o calendário, ora são as lesões. Ora são os jornalistas, ora são os comentadores”
. Esta salada de acusações demonstra como as narrativas de vitimização estão profundamente enraizadas na cultura do futebol português, desviando o foco das responsabilidades individuais.
Andrade conclui a sua análise com uma observação crítica sobre esta mentalidade, dizendo que: “O irritante 'contra tudo e contra todos' está impregnado na essência do futebol português. Não há mérito e trabalho, há privilégios e benefícios. Não há demérito, há perseguição e culpados alheios”
. Estas palavras resumem a tendência de muitos no futebol português de desviar o foco da responsabilidade em prol de uma narrativa coletiva.
Reflexão sobre o Futuro do Futebol
O que se observa é um ciclo interminável de retórica e recriminações que obscurecem o verdadeiro espírito do desporto. A celebração das vitórias pelo esforço e mérito genuínos é frequentemente eclipsada por teorias de conspiração e fantasmas. A reflexão sobre o que estas declarações significam para o futuro do futebol em Portugal é pertinente, pois pode realmente levar a uma mudança no panorama desportivo.
É essencial que o foco se desloque para o jogo e para uma rivalidade saudável, onde as conquistas sejam celebradas pelo mérito e trabalho, afastando assim a mentalidade de vitimização que tanto predomina atualmente. O desafio estará em superar estas narrativas e promover um ambiente desportivo mais positivo e construtivo.