Rui Borges, treinador do Sporting, tem enfrentado críticas e ataques pessoais, mas opta por uma abordagem filosófica sobre como responder a tais situações.
“A única coisa que não gosto é quando vão mais para a parte pessoal. Mas sempre me ensinaram que a melhor forma de responder é com o silêncio e com o trabalho, e isso tem falado muito por mim. Essa será sempre a melhor forma de mostrar o meu carácter e o carácter das minhas origens,” comenta Rui Borges, refletindo sobre sua trajetória e a forma como lidou com as adversidades na sua carreira.
Influências Familiares
No entanto, a sua personalidade e formação também são moldadas por influências familiares. Em uma emocionante entrevista, Rui deixou transparecer o amor que sente pelo seu avô Zé, uma figura central na sua infância. “Você vai-me fazer chorar, poça!” disse ele, ao ser questionado sobre a importância do avô que já partiu.
O treinador partilhou como o avô, um sapateiro de profissão, representava os valores de simplicidade e trabalho duro que ele tanto preza. “Acho que ele está lá cima muito orgulhoso do que o neto está a fazer,” afirmou emocionado.
Tradições e Memórias
Borges não hesita em revelar que uma tradição que mantém em honra do avô é o seu gosto por romãs. “Eu adoro romãs, como todos os dias e felizmente aqui na Academia tenho essa possibilidade. O meu avô nunca teve muitas posses, mas tinha uma romãzeira em casa e levava-me sacos de romãs, que era a forma de mostrar que me amava,” explica, enquanto reflete sobre a importância de expressar amor aos que nos são queridos.
Algo que sente que não fez o suficiente enquanto o avô estava vivo. “Nós dizemos poucas vezes aos nossos que os amamos e eu queria ter dito mais vezes ao meu avô que o amava. Talvez pela adolescência, pela maneira de ser, nunca o disse muitas vezes.”
Orgulho das Origens
O treinador sublinha ainda o quanto a sua cidade natal, Mirandela, e as suas origens influenciam a sua identidade e abordagem ao trabalho que realiza. Ele afirma: “Tenho muito orgulho de onde sou. Estou bem ciente de onde venho e o que me custou chegar aqui. Tenho bem presente o que foram os meus 44 anos. Custou-me. Trabalhei muito.”
“E para mim é reconfortante chegar à minha cidade e ver um sentimento geral, independentemente as cores clubísticas de cada um, de que todos querem que o Sporting ganhe e que corra bem.”
Equilibrar a Vida Pessoal e Profissional
Para Rui Borges, o repto de equilibrar a vida profissional e pessoal é um desafio constante. “Mas há dias em que também saio às 14 horas e vou almoçar a casa. Tento equilibrar os dois mundos. Há vida para além do futebol e a família para mim é muito importante.”
“Sou muito de família, muito pegado à família, à minha mulher, ao meu filho, aos meus pais e às minhas irmãs e não abdico deles em momento algum.”
As palavras de Rui Borges oferecem uma visão significativa sobre como enfrentar as críticas e manter valores familiares, enquanto equilibra as exigências do futebol profissional. A resiliência frente aos ataques é apenas um reflexo do que ele aprendeu ao longo da vida, destacando sempre o valor do trabalho e do amor familiar.