O presidente do Sporting, Frederico Varandas, teceu duras críticas a FC Porto e Benfica, acusando os dois clubes de empregarem uma “estratégia desonesta” para pressionar a arbitragem em Portugal. As declarações foram proferidas esta quarta-feira, à margem das celebrações dos 70 anos do Estádio Universitário de Lisboa, onde Varandas defendeu que o Sporting é o único clube a propor mudanças estruturais no futebol português.
“Ficou provado que Benfica e FC Porto têm uma estratégia de comunicação, que é não só de comunicação, mas desportiva. Que é condicionar ao máximo a arbitragem. Sem qualquer pudor, sem qualquer honestidade”, afirmou Frederico Varandas, sublinhando a gravidade da situação. O líder leonino, em funções desde 2018, foi além, criticando a forma como os rivais abordam a comunicação: “É de uma desonestidade intelectual”, disse, referindo-se aos comunicados e newsletters que, segundo ele, “contam metade da história”.
As críticas de Varandas estenderam-se ao presidente do FC Porto, André Villas-Boas, que anteriormente classificou as propostas do Sporting na Assembleia Geral (AG) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) como “patéticas” e “chico-espertice”. Em resposta, Varandas ironizou: “O maior elogio que se pode fazer ao Sporting é que, cada vez que o presidente do FC Porto fala, fala do Sporting. É nos festejos, em entrevistas. Os sportinguistas esperaram isto 40 anos, se calhar não percebem, mas é um grande elogio”. O presidente verde e branco reiterou o seu desejo de ser “cirúrgico nas palavras” e “rigoroso”, evitando “ofender ninguém”, ao detalhar as propostas apresentadas na AG da LPFP. Contudo, não poupou Villas-Boas de uma acusação direta: “O presidente do FC Porto disse em direto para todo o país que eu tinha chamado ladrão ao presidente da Federação [Portuguesa de Futebol], a João Capela e a Nuno Almeida [antigos árbitros]. Disse uma mentira”, afirmou Varandas, referindo-se a declarações após o clássico da Taça de Portugal em que o Sporting venceu o FC Porto por 1-0. O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, já tinha desmentido Varandas, alegando que apoiou a proposta de revisão pelo VAR dos cantos mal assinalados, uma vez que “o IFAB [International Board] permitiu a alteração das leis do jogo, mas não obriga à aplicação. Cabe a cada Liga decidir”, como lembrou Varandas. O presidente do Sporting esclareceu a polémica sobre a proposta relativa aos cantos mal assinalados pelo VAR, lembrando que o FC Porto, “que andou o ano todo a queixar-se deste lance, votou contra”, contradizendo a posição pública dos dragões. As propostas do Sporting acabaram por ser todas chumbadas na AG da LPFP, levando Varandas a expressar o seu lamento: “Ninguém quer mudar o futebol português. Os clubes pequenos querem continuar que os ‘grandes’ possam fazer tudo quando condicionam árbitros”.
No fecho do seu discurso, o presidente leonino fez uma autocrítica: “O Sporting poderia ter feito uma época muito boa e fez uma época de resultados mínimos, porque não conseguiu vencer troféus. Nunca foi por culpa da arbitragem. Foi por incompetência nossa”. Esta declaração contrasta com a situação da “dobradinha” na temporada de 2025/26, quando o Sporting, apesar de ter chegado aos quartos de final da Liga dos Campeões, terminou sem títulos, perdendo a I Liga para o Benfica e sendo eliminado da Taça de Portugal pelo Torreense. As alegações de Varandas, bem como as refutações do FC Porto, revelam um cenário de tensão e desconfiança contínuas no futebol português, com as questões da arbitragem e da gestão desportiva a permanecerem no centro do debate.