O Nacional da Madeira e o Benfica foram os únicos clubes a não apoiar o modelo de comercialização dos direitos audiovisuais proposto pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP). O clube madeirense, que se absteve, criticou a forma como a assembleia foi conduzida, afirmando que “esta reunião deveria ter permitido discutir livremente diferentes propostas ou alterações ao modelo apresentado pela LPFP”
. O Nacional ainda expressou total repúdio
pela condução dos trabalhos, alegando que a marcação da assembleia “impediu a discussão deste tema, de forma livre e construtiva, pelas sociedades desportivas”
.
O Benfica, por sua vez, foi o único clube a votar contra a proposta. A posição dos encarnados
reflete o descontentamento com o modelo de centralização dos direitos televisivos, que pode reduzir as receitas individuais do clube. Rui Costa, presidente do Benfica, já havia manifestado publicamente a sua oposição ao projeto, especialmente após a saída do grupo de trabalho da Liga. O clube garantiu um contrato individual de €52,3 milhões por época, o que explica a sua resistência em aderir ao modelo coletivo.
Rui Alves, presidente do Nacional, também criticou a desigualdade da proposta
e defendeu que o critério equitativo deveria corresponder a 50% da verba, em vez dos 33,2% propostos. Ele afirmou que “deveria ter sido permitido discutir livremente”
as linhas do projeto, acrescentando que lhe “custa a acreditar que o presidente da Liga tenha conhecimento”
de um procedimento que definiu como desonestidade intelectual
. A Liga, porém, destacou o consenso alcançado por 31 dos 33 clubes, prometendo novas discussões antes do final da temporada.