A jornada de Yann Bisseck no futebol português

  1. Bisseck brilha na Liga dos Campeões
  2. Treinador destaca talento inato
  3. Apoio de colegas foi crucial
  4. Transferência de 7 milhões para o Inter

A trajetória de Yann Bisseck revela um parêntese fascinante e, ao mesmo tempo, questionador no cenário do futebol português. Desde os relvados da quarta divisão até à grandiosidade da Liga dos Campeões, a história deste jovem defesa alemão levanta questões sobre o que é realmente o desperdício no desporto. Após marcar na vitória do Inter de Milão contra o Sassuolo, por 5-0, muitos se perguntam: como é que um jogador que tinha uma trajetória tão obscura, como Bisseck, consegue brilhar em um dos maiores palcos do futebol internacional?

O treinador da equipa B do Vitória de Guimarães, Moreno, compartilhou sua perspectiva sobre o talento inato de Bisseck, dizendo: “Notava-se que era diferenciado pelos pormenores como a qualidade do passe, da recepção e, claro, a velocidade estava lá, tal como se vê agora. Notava-se que tinha tido uma boa formação”. Apesar das suas habilidades, parecia haver barreiras a ultrapassar. Moreno apontou que o problema de Bisseck não era o talento: “Lembro-me de que também tivemos de fazer algum trabalho com ele, ao nível da motivação, já que sentimos que estava desmotivado”.

As dificuldades enfrentadas pelo jogador são evidentes em suas próprias palavras. Bisseck revelou: “Se não tivesse o Jonas Carl e o Elias Abouchabaka [ex-companheiros no Vitória B] ao meu lado, teria terminado a minha carreira profissional no Vitória. Pensei em deixar de jogar e mudar-me com o Elias para um apartamento em Berlim e estudar na universidade”. Essa declaração ilustra a fragilidade da situação do jogador na época e como o apoio dos colegas foi crucial para a sua continuidade no desporto.

Embora Bisseck tenha chegado a Guimarães como um projeto para a equipa principal, as suas primeiras experiências não corresponderam às expectativas. A história de Moreno e das suas tentativas de integrar o jogador na equipa B, aliado ao uso limitado que foi feito dele, levanta a questão: será Bisseck o maior desperdício da década no futebol português? No entanto, a resposta parece depender das circunstâncias e da visão dos responsáveis na época, que hesitaram em investir numa cláusula elevada para um jogador com menos de dez jogos na sua carreira.

João Henriques e Bino Maçães, outros treinadores do Vitória B, também não acreditaram no potencial de Bisseck, o que fez com que Moreno expressasse a sua surpresa: “Não é fácil sair da equipa B do Vitória e estar numa equipa que vai disputar uma final da Champions e que a pode ganhar”. Essa afirmação é particularmente relevante, dado que Bisseck se destacou na Dinamarca antes de fazer a transferência para o Inter de Milão, onde provou seu valor ao ponto de um clube da Liga dos Campeões ter pagado sete milhões de euros para tê-lo.

Com habilidades físicas e técnicas impressionantes, Bisseck é descrito como um central moderno. Moreno destacou que, embora a qualidade com a bola não esteja ao nível dos melhores do mundo, ele ainda consegue “colocar passes verticais, sair em condução e até rematar - é o central da Liga italiana que mais remata por jogo”. Essa mistura de velocidade e força física torna-o uma peça essencial em qualquer sistema tático, especialmente em um esquema de três centrais.

Concluindo, a ascensão de Bisseck deixa uma reflexão profunda sobre as oportunidades perdidas no futebol e a determinação pessoal. Resta saber se, com o tempo, Bisseck faria justiça ao seu talento se tivesse permanecido em Guimarães, ou se os caminhos trilhados foram os únicos possíveis para se chegar onde está hoje.