César Peixoto: "A ambição europeia era um elefante na sala"

  1. César Peixoto aborda ambição europeia do Gil Vicente
  2. Gil Vicente prepara-se para receber o Casa Pia
  3. Peixoto lamenta falta de sorte nos últimos jogos
  4. Técnico defende jogadores de críticas após último jogo

César Peixoto, treinador do Gil Vicente, abordou a ambição europeia do clube, admitindo que o tema era um elefante na sala antes de ser publicamente assumido. A equipa prepara-se para receber o Casa Pia, com o objetivo de regressar aos triunfos e manter viva a esperança de alcançar um lugar nas competições europeias.

O técnico antevê um desafio muito difícil contra o Casa Pia, destacando a luta do adversário pela permanência. “O campeonato está mais difícil do que parece, mais ainda na parte final. O Casa Pia está a lutar pela vida, quer levar pontos, mas temos de olhar para nós com confiança e continuar o trabalho fantástico, esperando que um outro resultado menos bom não nos afete. Depois de um jogo menos bem conseguido, esperamos dar uma resposta. Vai ser difícil, mas temos capacidade de vencer”, afirmou.

Peixoto lamentou a falta de sorte nos últimos lances dos jogos recentes. “Claro que quero ganhar, mas isto é uma maratona. Nos últimos jogos, aquela pontinha de sorte não tem estado connosco. No último jogo a primeira parte foi fraca, mas na segunda parte tivemos as melhores oportunidades para marcar. Criámos mais, mesmo não fazendo um bom jogo. O resultado [derrota por 1-0] até não acho que foi assim tão justo depois de analisar. Nos últimos lances dos jogos temos sofrido, a equipa fica frustrada, mas a equipa tem dado uma boa resposta. Espero que a pontinha de sorte também volte”, analisou.

O treinador espera um Casa Pia “muito forte, com um sistema de jogo com primeira e segunda bolas a tentar ganhar os duelos, com jogadores rápidos”. “Bons jogadores, uma equipa que vai trazer-nos dificuldades, acho que vai pressionar alto e sabemos que não vamos ter bola 90 minutos. Antevejo muitas dificuldades e temos de ser muito competitivos”, acrescentou.

César Peixoto não encarou as críticas após o último jogo como críticas, mas sim como uma constatação. “Digo é a verdade. A equipa sabe e percebe que eu não lhe falho. Não fizemos uma boa primeira parte, não escondo isso, e devemos assumir o problema para resolver. Enfrento o problema e tento resolver. É nestes jogos que crescemos, lutar sempre para ganhar é diferente de lutar para não descer. Queremos continuar na luta até ao final e por vezes há jogos menos bons. Foi a pior primeira parte que tivemos, mas o que falei é uma situação perfeitamente normal, até porque sou eu o responsável. Tenho orgulho no que eles fizeram, mas sou exigente e quero mais. Não eram os melhores antigamente, como agora não são os piores. Ninguém duvida dos jogadores por causa de um erro”, defendeu.

Quanto ao estado de Elimbi, o técnico informou que “está a treinar, vamos ver se aguenta o ritmo de jogo. É sempre mais uma opção”.

César Peixoto reiterou que o grupo não sentiu uma pressão acrescida por assumir o objetivo europeu publicamente. “Tem-se falado um bocado nisso, mas isso não faz sentido. A pressão que acumulámos foi pelas grandes vitórias, recordes que batemos e esse entusiasmo deu-nos o direito de sonhar, só falei por isso. O Gil Vicente tem lutado para não descer nos últimos anos, não é um habitué a andar nestes lugares, uma época fora do normal pela positiva. Já que estamos aqui vamos recusar ir [à Europa]? O objetivo é querer mais, adquirimos esse direito, essa expetativa, essa pressão positiva. Todas as pessoas do clube têm de perceber isso, é natural numa equipa jovem que isto aconteça [pressão], mas faz parte do crescimento do clube. O que senti foi que os jogadores precisavam de confiança e quando falei nisso [objetivo de apurar o Gil Vicente para a Liga Conferência] foi para lhes dar confiança. Parece que havia um elefante na sala e decidi, quando passámos para trás do Famalicão [na classificação], falar no objetivo”, concluiu.

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