Casa Pia garante permanência na Liga Portugal, Torreense lamenta despromoção

  1. Casa Pia garantiu permanência na Liga Portugal.
  2. Torreense não retorna à elite desde 1991/1992.
  3. Luís Tralhão questiona calendário apertado.
  4. Casa Pia venceu por 2-0.

A festa fez-se de um lado, a tristeza do outro. Esta é a mais pura das verdades no desfecho do play-off de manutenção/subida à Liga Portugal. O Casa Pia garantiu a permanência, enquanto o Torreense não conseguiu o tão ambicionado regresso à elite do futebol português, algo que não acontece desde a longínqua temporada de 1991/1992.

Apesar do desaire, e da consequente desilusão, a equipa do Torreense, e também o seu treinador Luís Tralhão, mostraram-se orgulhosos do percurso. O técnico, em declarações à Sport TV logo após o apito final, e que se seguiram à derrota frente ao Casa Pia, abordou o tema da gestão física e do calendário apertado: “É a diferença de a bola entrar ou não entrar, de ter oito dias de descanso ou quatro. Não sou uma pessoa de desculpas, mas é inevitável não falar sobre isso. Teve um impacto direto. Hoje corremos muito, deu para ver que fomos buscar energias onde não as tínhamos. O Torreense fez três jogos em oito dias com equipas da I Liga. Acho que as pessoas têm de pensar um bocadinho nisto. Decide-se uma época, uma subida de divisão, neste curto espaço de tempo. Se calhar é desculpa.” Tralhão reforçou ainda a necessidade de intervenção por parte das entidades competentes: “Acho que é preciso melhorar as instâncias que organizam as competições, para pensarem nestas situações e, no momento em que acontecem, serem mais sensatos. Qual seria a diferença se tivéssemos jogado na sexta-feira ou no sábado? Não entendo.”

O treinador do Torreense, Luís Tralhão, deixou ainda vincada a sua leitura do jogo: “Não, de certeza absoluta. Tínhamos o objetivo e a ilusão de poder subir de divisão. Esse era o nosso objetivo prioritário. Hoje não fomos suficientemente competentes para levar de vencida a equipa do Casa Pia, apesar de achar que fomos melhores do que eles. Houve um período na primeira parte em que o Casa Pia esteve melhor e teve algumas situações de perigo, mas no cômputo geral do jogo fomos melhores. Sem querer parecer presunçoso nem ter um discurso de mau perdedor, no cômputo geral dos dois jogos tivemos melhores momentos do que o Casa Pia. Hoje, o futebol não foi justo connosco.” Quanto ao futuro, o treinador avançou que: “Não sei, vamos ver. Tudo indica que sim. As semanas foram tão intensas, tão duras e exigentes, que não tive muito tempo para pensar nisso. Sei que há vontade dos dois lados, acho que vai ser fácil continuar, mas não está fechado.”

Stopira, capitão do Torreense, também expressou a sua tristeza pela derrota no play-off, mas salientou o orgulho na equipa, na zona de entrevistas rápidas da SportTV: “Não foi o que queríamos. Acho que o resultado não reflete o que aconteceu no jogo, mas parabéns ao Casa Pia. Mostrámos que somos uma grande equipa, lutámos até ao fim, mas infelizmente não conseguimos. O futebol é isto e tenho muito orgulho pela minha equipa.” O defesa também abordou a questão do desgaste, mas preferiu não o usar como desculpa: “Não quero entrar por aí e começar com desculpas, mas ficamos prejudicados com a carga dos jogos. Mas não quero me desculpar… quero levantar a cabeça, olhar para a frente e, tal como já disse, se for para morrer que seja de pé. Fizemos tudo para ganhar, somos uma grande equipa, mas infelizmente não conseguimos e agora é pensar no próximo ano.”

O jogo foi intenso, mas o Torreense, que recentemente conquistou a Taça de Portugal após um triunfo épico sobre o Sporting, não conseguiu concretizar as suas oportunidades. Danny Jean (4’), Musa Drammeh (5’ e 10’) e Javi Vazquez (6’) não acertaram no alvo nos primeiros minutos. O Casa Pia acabou por ser mais eficaz, com Larrazabal a inaugurar o marcador e Lawrence Ofori a sentenciar o jogo aos 78 minutos. O resultado final, 2-0 para o Casa Pia, permite assim a sua permanência. No final, Luís Tralhão elogiou o grupo: “É um grupo fantástico, espetacular. Tenho muita sorte por ter trabalhado com eles nestes meses. Fizemos coisas espetaculares. Somos os vencedores da Taça de Portugal, fizemos uma segunda volta brutal na II Liga, chegámos ao play-off quando muitas pessoas não achavam que o conseguíssemos. Fica a sensação de que poderíamos ter lá chegado.”

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