O empate a um golo entre Casa Pia e Benfica, na 28.ª jornada da Liga, deixou no ar um misto de emoções. Para um dos lados, a sensação de que o resultado foi um percalço. Para o outro, um ponto festejado na luta pela permanência.
Rafael Brito, autor do golo dos gansos e formado no Seixal, não escondeu a satisfação. “Um jogo especial, mas especial pelo ponto conquistado na nossa caminhada. Temos trabalhado muito para conquistar estes pontos, conseguimos e é fruto do nosso trabalho. Acho que o jogo na Amadora foi um percalço, não demonstrámos o que temos demonstrado na Amadora e fizemos isso hoje. Não virámos as costas à luta.” O médio destacou ainda a confiança da equipa: “Temos muita confiança em nós mesmos, precisamos de pontos. Já ganhámos ao FC Porto e sabemos o trabalho que estamos a desenvolver.” Em declarações posteriores, Brito reforçou: “Foi um jogo especial, sim, mas pelo ponto conquistado na nossa caminhada. Temos trabalhado muito para conquistar estes pontos. Hoje conseguimos, fruto do nosso trabalho”, salientou o jogador de 24 anos. E sobre a diferença para o jogo anterior: “O jogo na Amadora foi um percalço. O que temos vindo a fazer e a crescer com o míster Álvaro não ficou demonstrado nessa partida. Hoje demonstrámos o que somos constantemente. Uma equipa resiliente e que não vira a cara à luta. Temos muita confiança em nós, sabemos que precisamos de pontos e o trabalho que estamos a desenvolver.”
Do lado do Benfica, o capitão Nico Otamendi mostrou-se bastante crítico com a prestação da equipa. “A culpa é toda nossa, temos de ser contundentes no que fazemos. Estamos a defender o resultado e a disputar o campeonato e concedemos uma bola fácil para o adversário marcar. Falta entender que num clube como o Benfica não podemos conceder estas oportunidades. Jogámos em casa, temos de ter mentalidade de equipa grande. Estávamos obrigados a ganhar e a culpa é nossa.” O central reconheceu a insatisfação dos adeptos: “Os adeptos têm toda a razão para protestarem, porque o Benfica merece jogadores com personalidade e coragem para ganhar em todos os campos. A ganhar 1-0, não podíamos perder a contundência. Acabámos por dificultar as contas do campeonato.” Sobre o futuro, Otamedi preferiu focar no presente: “Próxima época? Hoje falo do momento, estou chateado com o resultado.”
Álvaro Pacheco, técnico do Casa Pia, elogiou a resposta da sua equipa após a derrota na Amadora. “Foi uma grande resposta da nossa equipa, tem vindo sempre a crescer. O último jogo estivemos muito abaixo do nosso real valor e tínhamos de dar uma resposta contra o Benfica. Ainda não perdemos em casa desde que chegámos, ganhámos ao FC Porto e ao Arouca, mas realçar a exibição. Fomos capazes de dividir o jogo, tínhamos de ser uma equipa muito compacta, serena e humilde para passar as dificuldades que o Benfica nos ia criar. Tivemos ambição de conquistar os três pontos e viemos com essa ambição. Mesmo depois de sofrer o golo, quando o jogo estava equilibrado, a equipa deu uma boa reação. Ficámos perto de ganhar, mas conseguimos mais um ponto na nossa caminhada.” O treinador reforçou a ideia de que a identidade casapiana faz a diferença: “Temos de perceber que quando vamos para o jogo e não somos nós, dificilmente podemos discutir os pontos. Quando somos casapianos conseguimos discutir qualquer jogo e se o formos sempre, não tenho dúvidas de que vamos atingir os nossos objetivos.” Em outras declarações, Pacheco complementou: “Grande resposta da nossa equipa. No último jogo, contra o Estrela, estivemos abaixo do nosso real valor. Jogando em nossa casa, tínhamos de dar uma resposta. Realçar a exibição. Fomos capazes de dividir o jogo. Sabíamos que teríamos de ser uma equipa compacta, serena e humilde. Nunca perdemos a ambição de chegar ao golo e discutir o jogo. Sabíamos que, sendo fortes nos duelos, poderíamos criar desequilíbrios. Foi isso que tentámos fazer. Mesmo sofrendo, quando o jogo estava equilibrado, tivemos uma reação. Acreditava muito que éramos capazes de ganhar, ficou perto, não conseguimos, mas conseguimos 1 ponto. Temos mais sete finais pela frente para conseguir os objetivos. Estas provas de resiliência dão tranquilidade? Dão uma ilação e uma lição. Quando vamos a jogo sem ser nós próprios, perdemos a nossa essência e assim é difícil discutir o jogo. Quando defendemos os valores do clube, podemos discutir qualquer jogo. E sendo casapianos, não tenho dúvidas que vamos conseguir.”