A conquista da Taça de Portugal pelo Torreense, um feito inédito para um clube da II Liga, colocou o técnico Luís Tralhão no centro das atenções. Apesar da euforia, o treinador mantém a serenidade e o foco nos próximos desafios, nomeadamente a luta pela subida à I Liga. “Não me mexi no segundo golo. Ainda estava a pensar no tempo que faltava e o que era preciso fazer. Hoje tive o discernimento de ter a cabeça fria para tomar boas decisões, nem sempre é assim. Há uns meses, na Liga Revelação, marcámos no último minuto ao Estrela da Amadora e entrei em campo”, revelou Tralhão, demonstrando a sua concentração inabalável.
A resiliência foi o pilar desta vitória histórica, como sublinhou o próprio treinador. “A nossa maior força foi a capacidade de perceber que podíamos ganhar. Sabíamos que íamos ter pouco tempo, não preparámos muito o jogo, mas já andamos a preparar este jogo há muitos meses, e é verdade que a resiliência é uma das principais características”, reforçou. A lista de agradecimentos de Tralhão é longa e abrange jogadores, adeptos, dirigentes e família, evidenciando o esforço coletivo por trás deste triunfo. O início promissor do jogo, com o Torreense a abrir o marcador, também foi crucial. “Foi muito bom começar o jogo a ganhar, dá serenidade e tranquilidade, mas tirou-nos capacidade de ter e circular a bola”, analisou.
Apesar da festa merecida, Tralhão já pensa no futuro. “Já estou a pensar um pouco na quinta-feira, temos festa hoje, mas temos de trabalhar amanhã. Eles sabem que isto ainda não acabou”, afirmou, referindo-se ao jogo decisivo contra o Casa Pia, que pode valer a promoção à primeira divisão. No entanto, uma promessa ousada feita anteriormente não será cumprida: “Quanto à festa, não faço a mínima ideia do que vai acontecer. Há uns meses, quando jogámos com o Fafe, disse que ia rapar o cabelo e fazer uma tatuagem se ganhássemos a Taça. Acho que não vou cumprir aquilo que disse.” A conquista da Taça de Portugal também mereceu o reconhecimento de figuras políticas, como José Luís Carneiro, que enalteceu a “conquista histórica e inédita” do Torreense, um feito que “enche de orgulho a cidade de Torres Vedras e todos os seus adeptos.”
O jogador Costinha também partilhou a emoção da vitória e a lição que fica: “Há poucas palavras para descrever o que fizemos aqui hoje. Contra todas as probabilidades, se calhar tínhamos um por cento de probabilidades de ganhar. Com tudo o que se passou, com um jogo na quinta-feira, contra o Sporting, que era o detentor da Taça, tudo parecia contra nós, mas quando nos agarrámos e acreditámos tanto, tudo é possível. Acho que escrevemos o nosso nome na história, porque nunca uma equipa da II Liga tinha ganhado a Taça de Portugal em 100 anos de competição. Isto ficará para sempre na história da Taça, do futebol português. Acho que fica uma grande lição: nunca desistam dos vossos sonhos, acreditem sempre até ao fim. Foi isso que fizemos hoje.”
André Sabino, diretor-geral para o futebol do Torreense, transbordou gratidão e elogiou o trabalho do técnico. “Nem nos meus melhores sonhos pensei estar aqui a festejar este título. Agradeço a quem diga que sou o pai do projeto, mas ao longo dos últimos anos tem havido pessoas que fizeram um trabalho fantástico nos bastidores”, frisou. Sobre Luís Tralhão, foi taxativo: “O mister, depois de hoje, só sai do Torreense quando quiser. Nem me sentia bem com a minha consciência se ele não tivesse tido a oportunidade de abraçar o projeto. É um treinador fantástico e um ser humano inexcedível.” A conquista da Taça de Portugal, que atira o Benfica para a segunda pré-eliminatória da Liga Europa e garante a presença do Torreense na Supertaça frente ao FC Porto, é um marco na história do clube, o “orgulho do Oeste”, que agora sonha com a I Liga após 120 minutos de intensa batalha no Jamor.