A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, defendeu hoje que a análise aos incidentes no jogo entre o Sp. Braga e o Vitória de Guimarães compete às entidades competentes, sem leituras políticas. Em audição parlamentar, a ministra declarou: “Ou nós confiamos nas informações dadas pelas autoridades oficiais, ou não confiamos. Eu confio. E, portanto, há uma análise que não é política, tem de ser técnica e tem de ser feita, nesse tipo de eventos, pelas autoridades, pelas entidades oficiais”
. As declarações surgem na sequência da polémica gerada pela proibição de uma coreografia por parte da PSP no dérbi minhoto. O secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, por sua vez, esclareceu que a decisão de impedir a utilização da coreografia preparada pelos adeptos do Sp. Braga teve fundamento técnico e resultou de riscos reais de segurança. Segundo Pedro Dias, os materiais da coreografia eram inflamáveis, o que levou o comandante do policiamento a inviabilizar a sua utilização devido ao “perigo significativo para a integridade física dos adeptos naquela bancada”
. A PSP de Braga já tinha comunicado ao clube a intenção de não autorizar a coreografia no dia 9 de fevereiro.
Pedro Dias lembrou ainda que o jogo foi temporariamente interrompido devido ao arremesso de várias tochas incandescentes para o relvado, provenientes da zona onde se encontrava a lona de maiores dimensões. Defendendo a atuação das forças de segurança, afirmou que a “intervenção [da PSP] foi adequada e houve articulação com o clube”
. Abordando a violência no desporto, o governante destacou a existência de um plano nacional de ética em vigor e garantiu que o Governo está a trabalhar para melhorar a legislação. “Havendo espaço para melhorar, vamos melhorar”
, assegurou.
Em resposta às declarações do secretário de Estado do Desporto, o SC Braga emitiu um comunicado oficial. Os bracarenses criticaram a análise governamental, afirmando que “as conclusões hoje apresentadas resultam de uma análise parcial e omitem o contributo que o Sp. Braga se disponibilizou a acrescentar”
. O clube relembra que ainda não obteve resposta ao pedido de reunião feito às tutelas do Desporto e da Administração Interna e que, sem essa reunião, as informações partilhadas pelo Governo são incompletas. O clube reafirma todos os factos que relatou em comunicações públicas e está em condições de os sustentar. Além disso, o SC Braga considera que, por acumular a pasta do Desporto com a da Cultura, a ministra deve ter “especial zelo na defesa da liberdade de expressão e no combate a qualquer forma de censura”
. A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) irá reunir-se com o Sp. Braga a pedido dos minhotos para esclarecer o incidente, uma vez que a exibição da tela de promoção estava “previamente aprovada pelo organismo”
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