As claques organizadas do Braga, Red Boys e Bracara Legion, abandonaram as bancadas do dérbi do Minho nos primeiros minutos da primeira parte, em protesto contra a atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP). Esta decisão surgiu na sequência da não autorização para a exibição de uma tarja de grandes dimensões na bancada Nascente do Municipal de Braga, facto que gerou “confusão entre sócios e agentes da PSP, que culminou com a identificação de alguns simpatizantes do Sp. Braga”. O clube, presidido por António Salvador, condenou a atitude da PSP antes mesmo do apito inicial, sublinhando que “vai até às últimas consequências”.
A PSP impediu a exibição de uma tela, o que levou a uma forte reação do clube. “O Sporting de Braga entende tornar público, com nota de repúdio, que o Comando Distrital de Braga da Polícia de Segurança Pública (PSP), na pessoa do senhor comandante da divisão policial, subintendente André Carvalho, impediu a exibição de uma tela de promoção ao clube e à cidade que seria erguida ao longo de toda a bancada nascente aquando da entrada das equipas em campo para o duelo desta noite”, pode ler-se no comunicado emitido pelo clube. A tarja, que realçava a história bimilenar da cidade em latim, não foi permitida com o argumento de que “não se vislumbra que a coreografia (...) se enquadre no apoio aos clubes e sociedades desportivas intervenientes”. O Braga classificou a postura da PSP como “intransigente e autista”, considerando que tal episódio “abre uma 'ferida' profunda na postura de cooperação que o Sporting de Braga tem assumido e que tem tido ganhos notórios em matéria de segurança e de comportamentos coletivos".
Após a vitória do Braga no dérbi frente ao Vitória de Guimarães (3-2), António Salvador expressou o seu descontentamento em conferência de imprensa. “Hoje, ganhámos e ganhámos bem, mas não estou feliz. Hoje, o nosso clube e os nossos sócios e os nossos adeptos foram desrespeitados. A nossa cidade de Braga foi desrespeitada. Fomos censurados na nossa vontade de afirmar o amor e orgulho pela cidade. Durante dias e semanas, os nossos profissionais e voluntários trabalharam horas e horas, dias e dias, para transmitir um incentivo ao clube”, afirmou Salvador, que prometeu: “Não posso permitir uma mensagem tão positiva, de orgulho pela nossa cidade, que a polícia censurou. Enquanto presidente, irei até às últimas instâncias. Farei o que for preciso para defender o amor à nossa cidade, o amor ao nosso clube, para que os nossos adeptos sejam respeitados, que foi o que não se passou aqui”. O clube bracarense prometeu ainda solicitar “reuniões de emergência” e instar a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e LPFP “a posicionarem-se” sobre o caso, por entender que “não é possível clamar por mais e melhores espetáculos” e pela promoção dos mesmos num “ambiente de prepotência e de hostilização dos clubes e das suas massas associativas”.