Claques do Braga abandonam dérbi após proibição de tarja pela PSP

  1. Claques do Braga abandonam dérbi.
  2. PSP proíbe tarja de grandes dimensões.
  3. António Salvador promete ir até às últimas instâncias.
  4. Braga vence Vitória de Guimarães por 3-2.

As claques organizadas do Braga, Red Boys e Bracara Legion, abandonaram as bancadas do dérbi do Minho nos primeiros minutos da primeira parte, em protesto contra a atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP). Esta decisão surgiu na sequência da não autorização para a exibição de uma tarja de grandes dimensões na bancada Nascente do Municipal de Braga, facto que gerou “confusão entre sócios e agentes da PSP, que culminou com a identificação de alguns simpatizantes do Sp. Braga”. O clube, presidido por António Salvador, condenou a atitude da PSP antes mesmo do apito inicial, sublinhando que “vai até às últimas consequências”.

A PSP impediu a exibição de uma tela, o que levou a uma forte reação do clube. “O Sporting de Braga entende tornar público, com nota de repúdio, que o Comando Distrital de Braga da Polícia de Segurança Pública (PSP), na pessoa do senhor comandante da divisão policial, subintendente André Carvalho, impediu a exibição de uma tela de promoção ao clube e à cidade que seria erguida ao longo de toda a bancada nascente aquando da entrada das equipas em campo para o duelo desta noite”, pode ler-se no comunicado emitido pelo clube. A tarja, que realçava a história bimilenar da cidade em latim, não foi permitida com o argumento de que “não se vislumbra que a coreografia (...) se enquadre no apoio aos clubes e sociedades desportivas intervenientes”. O Braga classificou a postura da PSP como “intransigente e autista”, considerando que tal episódio “abre uma 'ferida' profunda na postura de cooperação que o Sporting de Braga tem assumido e que tem tido ganhos notórios em matéria de segurança e de comportamentos coletivos".

Após a vitória do Braga no dérbi frente ao Vitória de Guimarães (3-2), António Salvador expressou o seu descontentamento em conferência de imprensa. “Hoje, ganhámos e ganhámos bem, mas não estou feliz. Hoje, o nosso clube e os nossos sócios e os nossos adeptos foram desrespeitados. A nossa cidade de Braga foi desrespeitada. Fomos censurados na nossa vontade de afirmar o amor e orgulho pela cidade. Durante dias e semanas, os nossos profissionais e voluntários trabalharam horas e horas, dias e dias, para transmitir um incentivo ao clube”, afirmou Salvador, que prometeu: “Não posso permitir uma mensagem tão positiva, de orgulho pela nossa cidade, que a polícia censurou. Enquanto presidente, irei até às últimas instâncias. Farei o que for preciso para defender o amor à nossa cidade, o amor ao nosso clube, para que os nossos adeptos sejam respeitados, que foi o que não se passou aqui”. O clube bracarense prometeu ainda solicitar “reuniões de emergência” e instar a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e LPFP “a posicionarem-se” sobre o caso, por entender que “não é possível clamar por mais e melhores espetáculos” e pela promoção dos mesmos num “ambiente de prepotência e de hostilização dos clubes e das suas massas associativas”.