A segunda parte da Assembleia Geral da Liga, iniciada a 16 de janeiro e retomada esta sexta‑feira, voltou a rejeitar a proposta de atribuição de verbas do Mecanismo de Solidariedade da UEFA destinadas aos clubes da II Liga. Na votação repetida na sede da Liga, no Porto, registaram‑se 12 votos a favor e seis votos contra, número insuficiente para alcançar a maioria qualificada prevista nos estatutos.
Os seis milhões de euros em causa foram propostos como apoio direto ao segundo escalão profissional, com o objetivo de atenuar fragilidades financeiras das equipas. A deliberação, porém, não obteve os 75% de votos favoráveis exigidos para aprovação e fica, por agora, inviabilizada.
Votação e números
A proposta obteve maioria simples, mas não a maioria qualificada de 75% exigida pelos estatutos da Liga para este tipo de decisões. Na repetição do escrutínio na sede da Liga registaram‑se 12 votos a favor e seis votos contra, pelo que a medida não foi aprovada.
Entre os seis votos contra estiveram cinco SAD identificadas — Arouca, Famalicão, Moreirense, Rio Ave e Santa Clara — e um sexto voto que não foi especificado nas fontes consultadas. A existência desse bloco de resistência explica a impossibilidade de cumprir o quórum estatutário.
Origem e finalidade dos fundos
Os seis milhões provêm do Mecanismo de Solidariedade da UEFA, um fundo gerido para apoiar o desenvolvimento do futebol profissional em escalões inferiores. A intenção dos proponentes era canalizar esses recursos para clubes da II Liga, mitigando défices e promovendo estabilidade competitiva.
Os promotores da medida defenderam que a transferência contribuiria para equilibrar as finanças de um segundo escalão com receitas mais reduzidas, enquanto os opositores colocaram em causa o princípio e a metodologia de repartição das receitas comuns do futebol profissional.
Consequências e próximos passos
A recusa por parte de um conjunto de SAD da I Liga revela divisões sobre a gestão e repartição de receitas. A matéria deverá permanecer em agenda nas próximas reuniões da Liga e pode voltar a ser discutida se forem apresentadas propostas alternativas ou se for alcançado um entendimento político entre as SAD.
Fontes presentes na assembleia salientaram que a suspensão da deliberação, na primeira reunião, resultou de dúvidas jurídicas sobre o processo de votação, esclarecimentos esses que não foram suficientes para assegurar a maioria qualificada. Até nova decisão, os clubes da II Liga ficam à espera de uma solução que desbloqueie o apoio financeiro almejado.