O Bodo/Glimt, adversário do Sporting nos oitavos de final da Liga dos Campeões da temporada 2025/26, tem sido a equipa-sensação do futebol europeu. O seu percurso incluiu vitórias frente ao Manchester City, Atlético de Madrid e Internazionale, um feito notável para um clube que há pouco tempo estava no segundo escalão norueguês. Por trás desta ascensão meteórica está Bjorn Mannsverk, um antigo piloto de combate da Real Força Aérea da Noruega que se tornou culture builder
do clube em 2017.
Em entrevista à Marca, Mannsverk explicou o início da sua colaboração com o clube: “Havard Sakariassen [diretor desportivo] deteve um colapso mental coletivo e a necessidade de treinar também o aspeto psicológico. Encontraram um projeto piloto que fizemos no meu esquadrão, em 2010, e gostaram”. Embora a comunicação social o intitule de mental coach
, Mannsverk prefere uma designação mais abrangente: “A comunicação social adora chamá-lo assim, mas eu não me identifico como tal, porque essa é apenas uma pequena parte do meu trabalho. Eu gosto mais do termo 'culture builder', porque aquilo que eu tento fazer é criar uma cultura/mentalidade de equipa”.
A metodologia implementada por Mannsverk no Aspmyra Stadion visou uma mudança profunda na mentalidade do grupo. “Seguimos os mesmos passos. Organizámos uma reunião de grupo, para ver o que funcionava e o que não funcionava... e fez-se um silêncio total. Não estavam habituados a ser desafiados em público, mas, assim que assimilaram que era algo de normal, começámos a construir uma equipa”, revelou. O ponto de viragem crucial ocorreu em 2019, quando propôs uma abordagem radical aos objetivos da equipa. “Em janeiro de 2019, rompemos com tudo isso. Foi o passo mais importante. Reuni-me com os jogadores, com o 'staff' e com o diretor desportivo, e disse-lhes: 'Por que é que não mandam à m**** todos os objetivos que fixaram para a temporada e se focam realmente nas coisas que cada um pode alcançar?'”, recordou. Esta filosofia de focar no que se pode controlar e na melhoria contínua é o cerne do sucesso do Bodo/Glimt. “Deves concentrar-te naquilo que podes controlar, saber que a melhor exibição está sempre por vir. Aquilo que fazemos hoje deve ser melhor do que aquilo que fizemos ontem. Pelo contrário, poderíamos morrer como se fôssemos pilotos de combate (...). Trabalhamos a cada dia para sermos melhores, não para ser os melhores”, sublinhou. A pressão dos grandes palcos europeus é sentida, mas a perspetiva permanece. “No Metropolitano, em San Siro... Consigo sentir a pressão, ainda que não jogue. Para mim, é muito mais difícil ser futebolista do que piloto de combate. Imagino que eles pensem ao contrário”, comparou. Por fim, o objetivo do Bodo/Glimt não é a conquista imediata, mas uma constante evolução. “O nosso objetivo não é ganhar a Liga dos Campeões, mas, sim, melhorar, ainda que seja um pouco, em cada jogo, quem sabe, a longo prazo, no próximo ano ou no seguinte, até chegar onde podemos chegar”, concluiu Mannsverk.