José Mourinho, em visita a Milão para um evento comercial, não só abordou o seu futuro e a seleção nacional, como também dedicou palavras de apreço a Francesco Farioli e ao FC Porto. Questionado sobre a possibilidade de Farioli ser o novo José Mourinho
, o treinador do Benfica expressou a sua visão. “Francesco Farioli o novo José Mourinho? Não quero ir longe demais, mas acho que ele vai ganhar o campeonato merecidamente. Ele será campeão: podem ou não gostar de como ele joga ou de como comunica, mas, no fim, quem ganha tem razão”
, disse, revelando uma forte convicção sobre o desfecho do campeonato português. Esta declaração sublinha o reconhecimento de Mourinho pelo trabalho do técnico italiano, independentemente do estilo de jogo ou comunicação preferido, focando-se no resultado final – a conquista do título.
O FC Porto, sob a alçada de Farioli, pode assegurar o título já no próximo sábado, na receção ao Alverca, evidenciando a consistência dos dragões nesta temporada. Mourinho reforçou que “Farioli é o novo Mourinho? Não vou exagerar. Vai ser campeão com mérito, é um campeão. Pode-se gostar mais ou menos de como joga ou comunica, mas quando se ganha, ganha-se. O FC Porto merece vencer o campeonato”
. A sua análise reflete uma perceção clara do mérito e da iminente vitória do FC Porto, distanciando-se de comparações diretas, mas validando o sucesso do adversário.
José Mourinho também projetou o Mundial 2026, onde Portugal é um dos seus desejos. “Gostaria que fosse Portugal, que tem potencial para isso”
, afirmou. O treinador do Benfica não se ficou por aí e fez uma análise aprofundada de outros candidatos: “O Carletto é o Carletto, mesmo que as pessoas não acreditem que o Brasil consiga. Mas, para mim, o Brasil com o Ancelotti é uma coisa e sem ele é outra. Acho que conseguem. A Argentina é a atual campeã do Mundo e parece uma equipa a sério: unida, compacta e feliz por jogar pela seleção. E depois a França, que com todo o talento que tem consegue formar três equipas competitivas. Um dia, terá de chegar a vez da Inglaterra...”
. Demonstra um conhecimento profundo sobre as seleções e os seus técnicos, bem como as dinâmicas internas que podem levar ao sucesso. No entanto, o Special One
adiantou que só estará verdadeiramente atento ao torneio a partir de uma fase mais avançada. “Mas acho que vou ficar de férias até aos quartos de final: há demasiadas equipas que vão lá apenas para perder. A verdadeira festa começa nos quartos de final”
, concluiu, expressando um certo ceticismo quanto à qualidade das fases iniciais do Mundial.
Relativamente ao seu futuro imediato, Mourinho reafirmou o seu compromisso com o clube da Luz, dissipando quaisquer rumores sobre outros interesses. “O meu próximo objetivo é levar o Benfica à Liga dos Campeões”
, atirou. Além disso, o técnico abordou a possibilidade de treinar uma seleção nacional no futuro, mas deixou claro que “Selecionador? Ainda não é o momento. Penso nisso, mas depois também penso na minha vida sem o futebol e o dia a dia num clube: sem treinar todos os dias, sem ganhar, perder e empatar três vezes por semana. Ser feliz, estar triste, frustrado, querer melhorar... não consigo imaginar a minha vida sem estas coisas. O momento para assumir uma Seleção Nacional ainda não chegou”
. Estas declarações revelam a paixão de Mourinho pela dinâmica diária do futebol de clubes e a intensidade que advém da competição constante, que o faz adiar a transição para cargo de selecionador. A sua visão não se prende apenas com a função, mas com o estilo de vida que o futebol de clubes proporciona, um fator determinante para a sua felicidade e realização profissional.
No que toca ao futebol italiano, país onde deixou a sua marca, Mourinho expressou a sua tristeza pela ausência da Itália no último Campeonato do Mundo e criticou a estrutura da formação em Itália. “É triste. Quando vocês não se qualificaram, eu estava com Rui Costa e não conseguíamos acreditar: 'Como é possível que a nossa Itália não tenha conseguido?', perguntávamos a nós próprios. Mas é real, aconteceu”
, partilhou, numa reflexão sobre o momento. No entanto, o técnico setubalense recusou a ideia de que a Itália precise de um selecionador estrangeiro. “Não concordo: não acho que precisemos de um treinador estrangeiro. Itália tem treinadores com carisma, qualidade, experiência... Podem não ter o Carletto, mas podem ter o Max [Allegri], o Antonio [Conte], e certamente existem outros também... No entanto, há algumas coisas que precisam de ser repensadas. Por exemplo, vejo um país como Portugal com 10 milhões de habitantes: as competições para os jogadores jovens, as condições de trabalho... há diferenças incríveis. Depois, vê-se a qualidade dos jogadores portugueses que aparecem todas as semanas, com o selecionador a ter dificuldade em escolher quais os jogadores a excluir.”
Mourinho sugere que, apesar do talento dos treinadores italianos, o problema reside na base do futebol do país, onde a formação de jovens talentos não acompanha o que é feito noutros países, como Portugal, que considera um exemplo a seguir neste aspeto. A sua experiência em diversas ligas europeias confere-lhe uma perspetiva única sobre as diferenças entre os sistemas de formação e as suas consequências a nível de seleção nacional.