Mourinho e Lukebakio: Tensão no Benfica após vitória

  1. Lukebakio substituído aos 58 minutos
  2. Mourinho: "Tivemos um bate-boca"
  3. Benfica: 31 jogos de invencibilidade
  4. Ivanovic: bis mais rápido na Luz

Após a vitória confortável sobre o Moreirense por 4-1, os holofotes viraram-se para o banco dos encarnados, onde se desenrolou um episódio entre José Mourinho e Dodi Lukebakio. O avançado belga mostrou clara insatisfação ao ser substituído aos 58 minutos por Gianluca Prestianni, gerando um momento de tensão à beira do relvado.

Em conferência de imprensa pós-jogo, José Mourinho abordou o sucedido de forma franca. “Lukebakio não gostou de ser substituído, a poltrona não tem culpa da frustração de um jogador que não gosta de ser substituído. Tivemos um bate-boca que eu gosto. Ele perguntou por que tinha de ser substituído, a minha resposta foi mais violenta, mas segue, não se passa nada”, revelou o técnico. Mourinho também partilhou a sua visão sobre a competitividade interna no plantel. “O maior culpado da pouca utilização dele é o Prestianni. É um bocadinho como dizia há um par de semanas... Na época passada, estávamos a lutar pelo título e estamos agora a sete pontos por culpa do FC Porto. De qualquer das maneiras, jogadores têm as suas características. Jogadores e treinadores têm de ir ao encontro um do outro. Eu e o Schjelderup estivemos muito longe um do outro e neste momento não podíamos estar mais perto”, sublinhou.

O treinador continuou a analisar as características de Lukebakio e a necessidade de adaptação no seu sistema. “O Lukebakio tem algumas vertentes pelas quais não sou apaixonado. Ele tem de se aproximar. Às vezes penso que, se calhar, o Diamantino Miranda, se estiver bem dos joelhos, com bola no pé também rebenta com isto tudo, mas agora correr para trás é preciso dar ao pedal. E precisas de o querer fazer. Analisas o nosso golo sofrido contra o Moreirense e percebes o que estou a dizer”, justificou Mourinho, sublinhando a importância do trabalho defensivo e da entrega total. Já à BTV, Mourinho disse: “Foi um jogo estranho, no sentido em que não podíamos começar melhor. Depois entrámos numa zona cinzenta de controlo, mas com um jogo pouco fluído. Fizeram o empate, numa situação aberta à crítica e à análise interna, porque é uma transição em que temos superioridade numérica, mas há um jogador que abandona a corrida defensiva e deixa o Dahl sozinho. Depois há o erro. Na segunda parte estivemos sempre no controlo. Mesmo que tenham [Moreirense] tido bola, não criaram perigo. Mexi e sabia que com aqueles jogadores ia trazer mais intensidade, profundidade e mais velocidade. Na parte final acho que o Vasco [Botelho da Costa] fez o que qualquer treinador faria: arriscou para chegar ao empate e nós, em velocidade, fizemos dois golos e com mais tempo faríamos mais”.

Apesar da polémica em redor de Lukebakio, o facto é que o Benfica alcançou um feito histórico, tornando-se na primeira equipa do Campeonato a atingir os 31 jogos de invencibilidade. O jogo foi também pródigo em golos, com o Benfica a marcar quatro, algo que não acontecia desde o embate com o Real Madrid. Individualmente, Franjo Ivanovic brilhou com o bis mais rápido das águias em jogos da Primeira Liga no Estádio da Luz. No final, Mourinho revelou ainda que se sente um treinador privilegiado por ter um banco rico. “Costumo ser um treinador frio, que não olha muito a situações emocionais e esta semana fui diferente. Pensei que, jogando um jogo por semana, com muito pouca rotatividade, com jogadores que andavam a trabalhar bem e a jogar pouco, com jogadores que saíam bem do banco, como em Alvalade, e fui emocional, no sentido de que há gente que merece jogar, correndo o risco de perder dinâmicas. Sabia que tinha no banco os jogadores que têm jogado mais, principalmente os dois alas que estão muito identificados com as nossas dinâmicas. O Dahl cresceu com o Schjelderup, mas não me arrependo, porque premiei gente que trabalha bem. Treinadores com bancos ricos são treinadores privilegiados”, concluiu.

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