A recente Assembleia Geral da Liga Portugal, realizada em Ramalde, no Porto, colocou em destaque o debate sobre a comercialização dos direitos audiovisuais da Liga e II Liga no mercado doméstico. A reunião tinha como principal objetivo votar a proposta para a centralização destes direitos, mas foi marcada pelas ausências dos presidentes dos grandes
clubes do futebol português, nomeadamente FC Porto, Sporting, Benfica e Sp. Braga.
Apesar da ausência dos presidentes, os clubes estiveram representados por outros dirigentes. Em particular, Nuno Catarino, do Benfica, deixou clara a posição do seu clube face à proposta de centralização. O diretor financeiro do clube “encarnado” expressou fortes reservas, argumentando que o modelo proposto poderá ter um impacto financeiro negativo significativo para o Benfica. “Com base no cenário de 220 milhões de euros apontado pela Liga, estamos a falar de uma perda provável de 5 a 15 milhões para o Benfica (…), é inaceitável. (…) O Benfica não precisa da centralização para valorizar o produto que comercializa”, afirmou Catarino.
A posição do Benfica, que se mantém contra a ideia da centralização, aponta para a necessidade de um modelo alternativo. Nuno Catarino sugeriu o adiamento do modelo atual e defendeu uma “centralização voluntária” para clubes com menor visibilidade mediática. A discussão é crucial, uma vez que a Liga Portugal e a Federação Portuguesa de Futebol têm até 30 de junho para apresentar a proposta do modelo de comercialização dos direitos audiovisuais à Autoridade da Concorrência, antes que os clubes se reúnam novamente para aprovar a chave de distribuição por maioria simples.