A eficácia acima da estética
O jornal francês L'Équipe publicou recentemente uma reportagem detalhada sobre a ascensão de João Neves no Paris Saint-Germain, recorrendo a testemunhos de quem o moldou no Benfica. Uma fonte próxima do jogador destacou a sua natureza desprendida da estética em favor da eficácia: “O João é naturalmente elegante, sem se esforçar, não se importa em ser bonito. O seu único objetivo é ser útil para a equipa. Conversámos sobre aquele passe de peito. Ele faz isso porque acha que vai ganhar tempo contra o adversário, por exemplo. Não porque se queira exibir. Ele não é um daqueles jogadores que fazem dribles elaborados, três fintas ou cinquenta pedaladas. A técnica de João é fazer coisas simples e eficazes. Mas coisas que nos parecem complicadas (risos)”.
O segredo da técnica e versatilidade
Roger Schmidt, o técnico que promoveu o médio à equipa principal, revelou a curiosa origem da sua coordenação motora e do controlo de bola. O treinador alemão recordou a conversa que teve com o jogador: “É engraçado porque essa foi a pergunta que lhe fiz: 'como é que o teu primeiro toque é tão bom? E o teu controlo de bola? De onde vem essa técnica incrível?'”. Segundo Schmidt, a resposta veio da infância do atleta: “Ele disse-me que é porque, quando era criança, jogava na praia, na areia, com a bola em constante movimento. Ele não podia deixá-la saltar, e é daí que vem também a sua técnica de coordenação motora. Esse é o segredo”.
Schmidt enfatizou ainda a versatilidade e a paixão de Neves pelo jogo, afirmando: “Acho que a outra explicação é que ele ama jogar futebol. Nada mais importa para ele. No início, quando o promovi à equipa principal, testei-o em diferentes posições: meio-campista, lateral... Não importa onde jogasse, ele saía-se bem. Sempre com a mesma alegria. É isso que ainda transparece nele. Ele é autêntico. Já é um jogador de classe mundial e vai ficar ainda melhor”.
Inteligência e instinto natural
Luís Castro, que orientou o jogador na equipa B, complementou a análise focando-se na inteligência e no instinto do médio. Para o atual técnico do Levante, o talento de Neves é fruto de repetição e genética: “Ele tem uma coordenação corporal excecional. Há muitos desportos em que o João se destaca. Todos estes gestos, todos estes movimentos, foram repetidos milhares de vezes. Há isso, e um elemento de instinto. Ele recolhe informações antecipadamente porque é muito inteligente, mas quando está sob pressão dos adversários, deixa o instinto assumir o controlo. E é isso que cria os lances de que estamos a falar. Ele tem o futebol no sangue”.