O treinador alemão Roger Schmidt, que comandou o Benfica entre 2022 e 2024, falou abertamente sobre a evolução de João Neves. Em declarações ao jornal francês L’Équipe, Schmidt recordou a curiosidade que sentia ao observar a qualidade do médio, agora no PSG, e a resposta surpreendente que recebeu do jogador sobre a sua formação: “É engraçado porque foi essa a pergunta que eu lhe fiz [ndr: segredos]: ‘Como consegues ter um primeiro toque tão bom? E o teu controlo de bola? De onde vem essa técnica incrível?’. Ele respondeu-me que a razão é porque, quando era criança, jogava na praia, na areia, com a bola sempre em movimento, o que lhe melhorou a técnica da parte superior do corpo. Esse é o segredo”.
Para além da influência do futebol de praia, o técnico destacou a mentalidade e a paixão do jovem português, que se revelou adaptável e dedicado desde a sua promoção ao plantel principal. Schmidt recorda que a entrega de Neves era constante, independentemente da função atribuída: “Creio que outra explicação é que ele adora jogar futebol. Nada importa mais para ele. No início, quando o levei para o plantel principal, tentei-o em diferentes posições, no meio-campo, a lateral… e pouco importava a posição onde ele jogava. Deixava sempre marca, todos os dias com o mesmo prazer. É isso que ainda emana dele. É autêntico. Ele já é um jogador de classe mundial e vai melhorar ainda mais”.
A trajetória de João Neves sob a tutela de Schmidt foi marcada por um crescimento rápido, culminando na conquista de uma Liga e uma Supertaça. Com passagens marcantes pela equipa principal, onde somou 75 jogos e quatro golos ao longo de duas épocas, o médio consolidou o seu estatuto antes de rumar a Paris. A análise de Schmidt reforça a ideia de que a combinação entre a base técnica informal e uma ética de trabalho rigorosa transformou o jovem num dos talentos mais promissores da nova geração do futebol europeu.