O polémico Caso Prestianni
, envolvendo Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior, continua a gerar forte debate no mundo do futebol, com diversas personalidades a expressarem as suas opiniões, nomeadamente sobre a reação de José Mourinho e a postura dos jogadores em campo. Jimmy Floyd Hasselbaink, antigo internacional neerlandês, foi um dos mais críticos, considerando a atitude de Mourinho como uma demonstração da necessidade de educação
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Hasselbaink recordou os momentos icónicos de Mourinho, afirmando: “Todos nós conhecemos os momentos icónicos dos festejos de Mourinho. Em Old Trafford, contra o Manchester United, pelo FC Porto. Pelo Chelsea. Pelo Inter, em Camp Nou, apenas ali em pé, a provocar aqueles adeptos. Eu adorei, quando ele estava a expressar-se. O facto de ele ter aparecido e dito aquilo enraiveceu-me mesmo.”
O antigo jogador, que foi dispensado do Chelsea por Mourinho em 2004, não poupou nas palavras: “Se Mourinho consegue cometer aquele tipo de erro... Estou a dizer que foi um erro, mas não foi, na verdade, um erro. Se Mourinho consegue fazer aquilo, então, é a prova da necessidade de educação. Aquilo que aconteceu, ali, enraiveceu-me mesmo, mesmo, mesmo, especialmente, contra Mourinho, porque ele disse que o Vinícius não deveria ter festejado daquela maneira.”
Hasselbaink defendeu ainda a pronta retirada de tais comportamentos do desporto: “Temos de retirar aquilo do desporto. Fora do desporto, o mais rapidamente possível.”
No centro da controvérsia, as declarações de Mourinho após a derrota do Benfica frente ao Real Madrid, onde questionado sobre as acusações de Vinícius Júnior a Prestianni, o técnico afirmou: “Falei com o Vini e ele disse-me uma coisa, falei com o Prestianni e ele disse outra coisa. Podia ser 'vermelho' e dizer que só acredito no que o Prestianni me disse, e podia ser equilibrado e dizer que no mundo do futebol tento ser sempre mais equilibrado.”
Mourinho prosseguiu, explicando a sua abordagem: “Não quero dizer que o Vinícius é um mentiroso e que o Prestianni é um miúdo maravilhoso. Não quero dizer isso. O Álvaro [Arbeloa] optou tomar um comportamento diferente, e eu não quero fazer isso. Eu disse ao Vinícius 'Marcas um golo do outro mundo, por que celebras assim? Por que não celebras como celebrava Eusébio, Di Stéfano, Pelé... celebrar com a alegria de ter marcado um golo'.”
O treinador expressou orgulho na exibição da sua equipa, apesar do resultado: “Cinquenta e poucos minutos de um grande jogo. Estou muito orgulhoso pela forma como jogámos frente a uma equipa como o Real Madrid, que mostrou a sua qualidade, que tem grandes jogadores e que pode jogar com uma grande qualidade. Mas, infelizmente, depois o jogo acabou.”
Saviola e Nico Gaitán, antigos jogadores do Benfica, também se manifestaram sobre o incidente. Javier Saviola sublinhou a importância de dar o exemplo: “Não somos a favor de que se digam coisas que não deviam ser ditas, nem somos a favor da provocação ou de comportamentos excessivos que ocorrem dentro do campo.”
Saviola lamentou que o episódio tenha ofuscado o jogo: “Foi um jogo muito bonito e tudo ficou totalmente ofuscado. Depois, só se falava deste episódio. Dentro do campo, o jogador de futebol tem de dar o exemplo.”
O ex-avançado reforçou a ideia de que a conduta deve ser exemplar: “Não somos a favor de que se digam coisas que não devem ser ditas e também não somos a favor da provocação. O comportamento tem de ser o mesmo de quando o jogo começou e tudo corria bem, deixar um pouco tudo isto de lado.”
Reconhecendo a intensidade do jogo, Saviola concluiu: “Os jogadores que estão dentro do campo estão a mil por hora e há alturas em que não nos apercebemos. Mas defenderemos sempre o futebol acima de todas as coisas más que possam acontecer.”
Nico Gaitán apelou à responsabilidade dos jogadores para com os adeptos: “Só eles sabem o que aconteceu. A polémica que se gera em campo faz com que, depois, as pessoas de fora, que não sabem o que se passa, fiquem agitadas e, mais tarde, é muito difícil acalmar 30 ou 50 mil pessoas.”
Gaitán defendeu uma mensagem de dentro para fora: “Seria bom se, a partir de dentro, começássemos a enviar uma mensagem, não apenas através de publicidade fora de campo, mas principalmente quando as emoções estão ao rubro.”
A UEFA, entretanto, abriu uma investigação ao caso, que permanece em curso, tendo Prestianni sido suspenso preventivamente, o que o impediu de participar na segunda mão do confronto da Liga dos Campeões.