A Direção do Boavista, liderada por Rui Garrido Pereira, esclareceu o Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia sobre a grave asfixia financeira que assola a instituição, alegando um incumprimento da SAD que ultrapassa os 9 milhões de euros. Num extenso requerimento, a Direção revelou que o protocolo de sobrevivência do clube, que previa o pagamento mensal de 145 mil euros pela utilização de ativos e infraestruturas por parte da SAD, foi quebrado. “Tal incumprimento resultou na acumulação de um montante em dívida que ultrapassa atualmente os €9.000.000”
, lê-se no documento.
A Direção acusa a SAD de ter tornado o clube refém. “A SAD assumiu-se, na prática, como o principal e praticamente único cliente institucional do clube”
, e o seu colapso desportivo arrastou a associação para uma situação crítica. O documento aponta ainda dificuldades em atrair investidores, com mais de 30 potenciais contactos frustrados pela queda para as divisões inferiores e a extinção do futebol profissional da SAD. “A evolução da situação desportiva e financeira da SAD foi sucessivamente afastando potenciais investidores”
, lamentam os dirigentes.
Paralelamente, a insatisfação atinge o seu auge entre os sócios. O movimento Unidos Pelo Boavista
lançou uma petição para convocar uma Assembleia Geral Extraordinária com o objetivo de destituir a atual Direção, nomear uma Comissão Administrativa transitória e negociar com a Administradora de Insolvência e os credores. A iniciativa já recolheu 176 das 250 assinaturas necessárias. As razões para esta contestação incluem o afastamento da Direção da gestão do clube pela Administradora de Insolvência, devido a falhas no depósito de prestações a credores e despesas correntes, e a justificação de salários em atraso com um litígio com a contabilidade. Os sócios criticam ainda o facto do clube subsistir com donativos e modalidades em colapso, o estádio interditado e a insistência da Direção em justificar as suspeitas levantadas pela Administradora de Insolvência, que incluíam 47 mil euros em proveitos não integrados, justificados como doações.