Anatoliy Trubin, guarda-redes ucraniano do Benfica, continua a ser uma figura de destaque, não só pelos seus feitos atuais na seleção, mas também por um momento inesquecível na sua carreira. O golo que marcou de cabeça ao Real Madrid na Luz, na fase de grupos da Liga dos Campeões, ainda é tema de conversa e orgulho para o atleta. “Foi algo único. No mundo, talvez, não volte a acontecer um momento assim nos próximos 100 anos — foi na Liga dos Campeões, diante do Real Madrid, e precisávamos de um golo para nos qualificarmos… não era para empatar. Quando marquei, simplesmente corri”, recordou Trubin, salientando o paradoxo da situação para um guarda-redes. “Trabalhas desde os seis anos para defender. Depois, marcas e o Mundo inteiro lembra-se de como marcaste e não de como defendeste.”
José Mourinho, o atual treinador do Benfica, terá incentivado Trubin a subir à área para o pontapé de canto, um detalhe revelado pelo próprio guarda-redes. “Ele disse-me para ir. Eu nem sabia que precisávamos de mais um golo, porque estávamos a vencer”, relembrou Trubin, que descreveu a experiência como geradora de grande mediatismo. No entanto, o guarda-redes também fez questão de realçar o contraste emocional vivido nessa semana, algo que o marcou profundamente. “Na quarta-feira, ganhas ao Real Madrid. No domingo, empatas frente ao Tondela e cais imediatamente ao fundo do poço”, expressou. A este respeito, acrescentou ainda: “Dois ou três dias depois tivemos outro jogo. Na quarta-feira vences o Real Madrid e, no domingo, empatas 0-0 com o Tondela, uma equipa do fundo da classificação. Imediatamente caímos no chão”.
Trubin, com 24 anos, tem agora um novo desafio pela frente: o jogo com a Suécia pelos play-offs de apuramento para o Mundial 2026, algo que a Ucrânia não alcança desde 2006. “Haverá muita pressão psicológica: os 90 minutos, um possível prolongamento e penáltis. Tudo é decidido aqui e agora. Há muita coisa em jogo”, salientou, consciente da grande responsabilidade que a partida acarreta. “O facto de não chegarmos ao Mundial há 20 anos representa um grande desafio para nós. Há muitos jogadores ucranianos incríveis que não foram. É muito triste”, concluiu, demonstrando a importância histórica de uma possível qualificação para o futebol ucraniano.