Bernardo Silva: O adeus ao Manchester City e as memórias do Benfica

  1. Bernardo Silva deixa o Manchester City após nove épocas.
  2. Conquistou 20 títulos e jogou mais de 450 partidas.
  3. Reflete sobre a intensidade do futebol inglês.
  4. Orgulhoso da "geração de ouro" do Benfica.

Bernardo Silva, em entrevista à DAZN, abordou diversos tópicos acerca da sua carreira, marcando o fim de uma era de nove épocas ao serviço do Manchester City. O internacional português deixa o clube inglês com um palmarés impressionante de mais de 450 jogos e 20 títulos conquistados. As suas declarações revelam um misto de sentimentos sobre a intensidade do futebol inglês e uma perspetiva nostálgica sobre o seu percurso, incluindo o período de formação no Benfica.

A viver a transição da sua carreira, Bernardo Silva refletiu sobre as exigências do futebol inglês e o impacto que teve na sua trajetória. “O futebol inglês é duro. O futebol inglês é duro. Foram nove anos. Nós brincamos às vezes e dizemos que um ano de Premier são dois de qualquer outra liga, porque as equipas são muito competitivas e todas têm uma capacidade financeira muito grande para ir buscar os melhores jogadores. Se olharmos mesmo para as equipas de baixo, todas elas têm jogadores de nível brutal. E, portanto, de jogarmos à mais alta intensidade a cada três dias... Também de deixar de ter isso já me vai saber um bocadinho bem, até pela idade”, confessou o médio. Para além da intensidade física, Bernardo Silva destacou um aspeto cultural que valoriza no futebol inglês. “Mas... do apito, não ser um apito fácil, como vemos em algumas das nossas ligas de lá de baixo da Europa, que é uma coisa que me irrita profundamente ver que o jogador batoteiro é recompensado sempre que se manda para o chão. Irrita-me muito e vou ter saudades disso. De mais o quê? Dos nossos adeptos que têm bastante mais respeito e que principalmente quando as coisas não correm bem, eles percebem que nós somos os primeiros a ficar frustrados e somos os primeiros a querer fazer bem o nosso trabalho e eu acho que nos nossos países nós levamos o nosso amor pelo futebol um bocadinho ao extremo em algumas situações, também vou ter saudades disso mas é o que é e eu diria principalmente estas duas coisas”, considerou.

As memórias de formação no Benfica foram também um ponto central da entrevista de Bernardo Silva, que revisitou um período crucial na evolução da formação encarnada. “A formação do Benfica durante muitos anos passou por uma fase difícil em que não conseguia produzir jogadores. Criou-se uma desconfiança em que o jogador da formação não funcionava, não servia”, explicou Bernardo Silva. O jogador identifica um momento de viragem claro. “Quando cometem o erro de deixar a nossa geração toda sair, que depois acaba por ter muito sucesso, foi um acordar para: ‘Calma aí, afinal a formação do Benfica se calhar serve’”, referiu. Este acordar impulsionou uma nova fase, com o Benfica a apostar mais nos seus jovens. “A geração a seguir à nossa já é aproveitada. Quando olhamos, por exemplo, para o João Félix, para o Renato Sanches, para o Gonçalo Guedes, são alguns exemplos e há mais. Depois mais tarde ainda vêm mais. Se calhar, a nossa geração serviu um bocado para voltar a acordar”, afirmou. Bernardo Silva relembrou ainda que os rivais estavam na frente nesse aspeto. “O Sporting sempre conseguiu lançar e formar. O FC Porto não com a frequência do Sporting, mas também. Mas principalmente o Benfica parou para pensar: ‘Calma aí, o jogador da formação, se calhar nós temos aqui outro método de conseguir ter sucesso na equipa principal’ e eu acho que foi bom”, sublinhou.

O médio expressou o seu orgulho na “geração de ouro” do Benfica, que ele próprio ajudou a impulsionar com o seu sucesso. “Eu tive muita sorte com a minha geração. Tivemos muita malta que teve muito sucesso, em patamares diferentes”, começou por dizer. Entre os vários nomes, Bernardo Silva destacou: “Olhando desde o Cancelo, que é da minha idade, e com quem tive sete anos no Benfica, para depois outros colegas como o Fábio Cardoso, que fez um caminho diferente e acabou por ir para o FC Porto, ou o Bruno Varela, ou mesmo rivais como o Bruno Fernandes ou o Palhinha. O Horta, um grande amigo, que sai do Benfica e agora faz um caminho espetacular no Braga, e outros exemplos”. O médio concluiu com satisfação: “É bom ver que conseguimos tantos de nós ter sucesso e chegar onde queríamos chegar”.

Um dos momentos mais caricatos da conversa de Bernardo Silva com a DAZN envolveu uma tentativa de última hora para “desviar” João Neves para o Manchester City, em conjunto com Rúben Dias. “Temos uma história engraçada eu e o Rúben Dias, na altura do europeu na Alemanha, com o João Neves, que sabíamos que ele estava perto de fechar com o PSG. E o Rúben e eu começámos a ligar para o City a dizer para não o perderem”, lembra. Contudo, os planos do clube inglês eram outros. “Na altura o City depois tinha outras prioridades, porque a nível de meio-campo tínhamos muitos jogadores, e acabaram por não avançar. Mas andámos a chatear o City para não o perderem. Acabaram por ter outras prioridades na altura, decidiram não avançar, mas é uma história gira. Acho que eles hoje em dia talvez estejam um bocadinho arrependidos, depois de verem... Nós já conhecíamos o João e também já treinávamos com ele, já víamos o que é que ele era, porque é um jogador que não engana”, conta Bernardo Silva. Esta anedota realça não só a admiração por João Neves, mas também a influência e perspicácia de Bernardo Silva e Rúben Dias no seio do Manchester City.

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