Martínez e Paiva analisam chances do México no Mundial de 2026

  1. Roberto Martínez elogia o México
  2. Renato Paiva vê México como candidato secundário
  3. Jogo particular Portugal vs México
  4. Diogo Jota ausente, abre vaga na equipa

A expectativa em torno do próximo Campeonato do Mundo de 2026, que será partilhado entre Estados Unidos, Canadá e México, tem gerado várias análises e comentários por parte de figuras conhecidas do futebol português. Entre elas, destacam-se as perspetivas de Roberto Martínez, atual selecionador de Portugal, e de Renato Paiva, treinador com experiência no futebol mexicano. As suas visões convergem na importância do fator casa para a seleção mexicana, mas divergem ligeiramente no grau de favoritismo atribuído aos “tricolores”.

Roberto Martínez, em entrevista à estação televisiva mexicana TUDN, não poupou elogios à seleção do México, chegando mesmo a catalogá-la como uma das potenciais vencedoras do próximo Campeonato do Mundo. “O México é uma seleção que utiliza sempre muito bem o fator de jogar em casa. Quando se analisa o México nos Mundiais, não passa da fase de grupos, mas, nos dois Mundiais que disputou no México, chegou aos quartos de final. Estamos a falar de uma seleção que, no Azteca, em casa, tem de ser uma das candidatas”, afirmou o selecionador português, justificando a importância do particular no México como a “melhor preparação para o Mundial”. A experiência de jogar no mítico Estádio Azteca é vista por Martínez como fundamental. “Poder jogar no Azteca é a melhor preparação para o Mundial. Sei que os jogadores já começaram a falar sobre isso... cada um tem a sua memória e o Azteca é um estádio que é uma referência nos Mundiais”, acrescentou. O selecionador teceu ainda rasgados elogios ao selecionador mexicano, Javier Aguirre. “Aguirre é uma pessoa que admiro imenso e o que fez na sua carreira em Espanha. Sem dúvida que as suas equipas estão sempre muito bem organizadas, têm um padrão de jogo muito bom e são muito competitivas. Acho que Aguirre tem essa capacidade de ajustar muito bem uma equipa para que seja competitiva. Vi a final contra os Estados Unidos [da CONCACAF], vi outros jogos que são mais amigáveis, mas os jogadores que jogam agora no México surpreendem-me sempre muito”. Além da análise tática e da importância do estádio, Martínez também destacou a paixão dos adeptos mexicanos. “É uma seleção grande. Sempre me impressionou o nível dos adeptos, quando estive na África do Sul, quando estive no Brasil... A exigência, a expectativa, a forma como a seleção é apoiada... ter todo esse ambiente no Azteca é, para nós, a melhor preparação para o Mundial”.

No entanto, a perspetiva de Renato Paiva, que conhece de perto a realidade do futebol mexicano, apresenta um cenário ligeiramente diferente no que concerne ao favoritismo. Embora reconheça a paixão e o ambiente fervoroso do Estádio Azteca, Paiva coloca o México num patamar de candidatos secundários ao título. “Não vejo Portugal como 'outsider'. No momento atual das seleções, sem ter em conta o historial, olho para dois patamares. Vejo a Argentina, atual campeã do Mundo e que tem sido muito uniforme a competir e ganhar, a Espanha, França e Portugal. Estas quatro no patamar superior de candidatura ao título”, disse o técnico à agência Lusa. Posteriormente a este grupo de candidatos mais fortes, incluiu o México num patamar mais abaixo. “Depois vejo numa segunda linha, pelos atuais momentos de forma, uma Alemanha, que é sempre a Alemanha, a Inglaterra e o Brasil, que anda a tentar encontrar-se, mas que tem um trunfo muito forte que é Carlo Ancelotti, e de Ancelotti podemos esperar tudo”. A sua experiência no futebol mexicano permite-lhe antever o perfil da seleção no jogo contra Portugal. “Vamos encontrar uma seleção que vai ter a motivação de jogar em casa, num Estádio Azteca renovado e num país que adora o futebol. Acredito que vai dar a iniciativa do jogo e a bola a Portugal e depois tentar ataques rápidos ou contra-ataques para surpreender Portugal”, previu Paiva. O técnico também sublinhou que a seleção de Javier Aguirre está em fase de construção. “É uma incógnita, a seleção mexicana é uma seleção em construção. Aguirre não chegou há muito tempo e fez alguns testes em convocatórias. Manteve uma espinha dorsal, mas foi experimentando alguns jogadores. Mesmo estando a pouco tempo do Mundial, no México não se acredita que esta seja já a convocatória definitiva”. Apesar disso, Paiva reconhece a qualidade individual dos mexicanos. “O México é uma equipa muito técnica, mas não é agressiva na abordagem do jogo e na abordagem ofensiva do jogo. Vai ser uma seleção em espera, com Portugal a assumir o jogo e a necessitar de ter alguns cuidados nos equilíbrios. Os mexicanos são evoluídos tecnicamente, com o goleador Jiménez na frente e extremos rápidos. Acho que vai este o perfil do jogo”. Em relação ao ambiente nos estádios, Paiva desmistifica qualquer receio de hostilidade. “Os estádios no México costumam estar cheios, vivem com paixão, mas moderada. Criam ambiente bom, mas não é aquele ambiente de clima hostil. Os nossos jogadores já apanharam ambientes bem mais difíceis e também não acredito que seja por aí que Portugal tenha problemas”.

O particular entre Portugal e México, que se realizará na Cidade do México, no mítico Estádio Azteca, surge assim como um teste decisivo para ambas as seleções. Com Roberto Martínez a aproveitar para fazer experiências, devido às ausências de peso como Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, Diogo Costa e Rúben Dias, a seleção lusa terá a oportunidade de testar talentos como Mateus Fernandes, Ricardo Horta e Gonçalo Guedes. A reabertura do Estádio Azteca, com a sua capacidade renovada e a altitude de 2.240 metros, promete criar um cenário desafiador para a equipa das “quinas”. A experiência e conhecimento de Javier Aguirre, que já comandou o Atlético de Madrid, será um fator a ter em conta. A seleção mexicana, apesar de uma aparente crise geracional, ainda conta com nomes experientes como Raúl Jiménez e Edson Álvarez, e o veterano guarda-redes Guillermo Ochoa, que sonha com a sua sexta presença em Mundiais, algo que só Cristiano Ronaldo e Messi alcançaram. Apesar de tudo, Roberto Martínez parece ter já grande parte da lista de convocados fechada, com a principal dúvida a residir no ataque, onde o trágico desaparecimento de Diogo Jota abriu uma vaga. Ricardo Horta e Gonçalo Guedes são os grandes candidatos para preencher essa lacuna, enquanto Mateus Nunes também disputa um lugar no meio-campo. A viagem ao México é, portanto, mais do que um simples jogo; é um teste de fogo para ajustar as últimas peças no tabuleiro de xadrez de Roberto Martínez, antes do Mundial de 2026. A incerteza em relação à composição final da seleção e as potenciais surpresas que os jogos de preparação podem trazer, alimentam a expectativa dos adeptos portugueses.

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