A gestão da transição de jovens talentos da formação para a equipa principal é sempre um desafio para os grandes clubes, e o Benfica não é exceção. Recentemente, a situação de Gonçalo Oliveira e Gonçalo Moreira, ambos promissores jogadores saídos do Benfica Campus, tem gerado debate. Após o jogo contra o Vitória SC, onde Gonçalo Oliveira não foi opção para a defesa apesar das ausências, José Mourinho justificou a sua decisão, preferindo adaptar Enzo Barrenechea a central. O técnico encarnado explicou: “O Otamendi foi campeão para estar no banco e ajudar num caso de emergência extraordinário. A dúvida seria sempre entre o Gonçalo Oliveira e o Enzo. O Gonçalo jogou 90 minutos num sintético na quarta-feira com uma viagem pelo meio e teve um jogo a sério. O Enzo esteve a semana toda a trabalhar connosco. É confortável para ele jogar nesta posição. Quem joga a 6, jogar a central com bola, é uma posição fácil de jogar. Seria difícil se jogássemos em bloco baixo e eles tivessem muitas situações dentro da área. A única oportunidade que o Vitória teve é um cruzamento da direita na primeira parte. O Enzo fez uma boa semana de trabalho e um ótimo jogo”.
Esta justificação levanta questões sobre a oportunidade dada aos jovens da formação, especialmente quando Gonçalo Oliveira, com 19 anos, tem sido presença constante no banco, mas sem minutos na equipa principal. A gestão da carreira de jogadores como ele torna-se crucial para evitar a estagnação. No caso de Gonçalo Moreira, a situação é algo semelhante. Apesar de ser um talento reconhecido e de ter sido elogiado publicamente por Mourinho, os minutos na equipa principal continuam a ser um sonho adiado. O próprio técnico, no passado mês de setembro, revelou ter “um fraquinho” pelo médio, afirmando: “Não entrou o Moreira, pelo qual tenho um fraquinho. Do pouco que vi, tenho um fraquinho. O jogo não foi para ele. Tinha-o no banco para poder entrar caso a situação fosse dramática ou fantástica. Não estava nem dramática nem fantástica. Não foi a hora dele e amanhã vai jogar contra o Torreense”. Contudo, seis meses depois, a ausência de chamadas de Moreira para a equipa principal tem levado a crer que esse “fraquinho” pode ter-se desvanecido.
A estratégia de aposta na formação do Benfica, tão elogiada, parece estar numa encruzilhada. As renovações contratuais de jovens promessas como Anísio Cabral, Daniel Banjaqui e José Neto, com o objetivo de os integrar no plantel principal, são um sinal positivo. No entanto, para que esta estratégia seja eficaz, é fundamental que estes jovens tenham oportunidades reais de jogar. Como foi salientado, “Se Banjaqui e companhia ficarem na bancada a ver passar minutos, o ativo desvaloriza e a motivação quebra. A estratégia só será efetiva se o treinador tiver a coragem de os lançar não só quando o titular vacila, mas numa lógica de gestão do plantel e de evolução do trio. Só assim o Benfica poderá vir a ter, em 2026/27, jogadores prontos para a titularidade absoluta e/ou para vendas astronómicas”. A valorização do talento da casa passa, indubitavelmente, pela confiança e pela aposta efetiva dos treinadores, transformando a formação do Seixal num capital próprio para o clube, garantindo que o seu futuro “não está no mercado; está a assinar contrato no gabinete do presidente”.