A homenagem a Silvino no Estádio da Luz, antes do jogo entre Benfica e Vitória de Guimarães (3-0), deixou José Mourinho visivelmente emocionado. O treinador partilhou a sua dor e as memórias do amigo, o histórico guarda-redes português que faleceu aos 67 anos.
Mourinho comentou a emoção sentida ao ver as imagens de Silvino nos ecrãs do estádio. “A minha mulher dizia-me ontem que era difícil de acreditar que ele foi embora e continua a ser difícil, mas foi e ficam as memórias. Como eu dizia num post que tive a coragem de escrever, é tempo de ainda chorar por ele, mas ainda haverá, espero eu, muitos anos para eu, e muitos dos amigos que tem em Setúbal, chorarmos a rir muito. Comigo, foram 18 anos. Estar com ele e viver com ele é rir muito e temos muito para recordar. Era daquelas pessoas por quem era fácil apaixonar-se. Ele em casa com a minha mulher, com a minha filha e o meu filho, estamos todos como estamos... mas agora é olhar para a família que ficou, para os filhos que também são parte da nossa vida e cresceram connosco e tentar dar aquela força e rir muito”, começou por partilhar o técnico setubalense, sublinhando a dificuldade de aceitar a perda.
O treinador confessou que não conseguir estar presente no funeral de Silvino tornou o momento da homenagem ainda mais pesado. “Naquele momento, [o facto de] não ter podido estar no funeral e, vendo-o ali no ecrã, foi pesado, mas vou-me recordar sempre das palavras que me dizia antes dos jogos e, posteriormente, pelo telefone: ‘Mano, hoje vai correr bem’. O meu pai dizia-me sempre ‘eu tenho muita fé’. O pessoal que está lá em Setúbal, o Paulo, o Hernâni e todos os amigos que tem lá, ainda temos que rir muito à conta dele.” Mourinho voltou a emocionar-se e afirmou: “Honestamente, teve influência na minha alegria, mas era uma coisa que já se arrastava há algum tempo. Família e amigos mais íntimos tentámos ao máximo dar-lhe a privacidade que ele queria, mas foi um período pesado e difícil, mas nunca esteve em causa a minha maneira de trabalhar. Ele próprio, enquanto esteve connosco, na parte final já não estava, a mentalidade dele é igual à minha. O trabalho é importante, ao trabalho não se pode faltar e tem de se andar para a frente.”
Mourinho relatou a ausência no funeral e a forte ligação de Silvino à sua família. “Não ter podido ir ao último momento…se ele pudesse, diria: ‘Não venhas, vai ao jogo e ganha o jogo’. Foi a minha mulher e os meus filhos que tinham uma relação com ele muito próxima da que eu tinha.” O técnico expressou a persistente dificuldade em acreditar na partida do amigo, e como a homenagem no estádio reforçou essa dura realidade. “Naquele momento não consegui… Ainda ontem a minha mulher repetia: ‘Parece mentira’. Pois, mas às vezes recordamos que é verdade. O Silvino no ecrã gigante do estádio, num momento em que já estava fixado no jogo, fez-me recordar que ele efetivamente foi embora. Enquanto estiverem cá pessoas que o amam - e há muitas, muitas, muitas - ele vai continuar vivo.”