Após a vitória do Benfica por 3-0 sobre o Vitória de Guimarães, em jogo da 27ª jornada da Liga Portugal Betclic, José Mourinho, Richard Ríos e Gil Lameiras partilharam as suas perspetivas sobre o encontro. As declarações revelam uma análise multifacetada, desde a estratégia tática e o desempenho individual, até à homenagem emotiva a uma figura marcante no futebol.
José Mourinho, treinador do Benfica, iniciou a sua intervenção na BTV por elogiar a exibição do adversário, apesar do resultado dilatado. “Se nos agarrarmos ao 3-0 e às grandes oportunidades que tivemos na parte final do jogo, até acho que podiam ter sido cinco ou seis, mas acho que o jogo não foi isso. O jogo teve um período difícil para nós, em que o Vitória teve 15 minutos na primeira parte em que nos criou imensos problemas. Pressionou-nos, foi difícil termos início. No início do jogo parecia fácil. Depois do 1-0 pensei que ia chegar o segundo e o terceiro, não chegou o segundo nem o terceiro mas sim domínio da parte do Vitória, com muita qualidade. Na segunda parte, quando fazemos o 2-0 o jogo acaba, mas não posso deixar de dizer que a dificuldade que o jogo teve para nós... não quero dizer que o 3-0 seja falso, porque até podiam ter sido cinco ou seis, mas não reflete o bom jogo que o Vitória fez”, afirmou o técnico. Mourinho justificou a opção tática de colocar Enzo Fernández na defesa: “O Otamendi foi campeão para estar no banco e ajudar em campo de emergência extraordinário. A dúvida seria sempre entre o Gonçalo Oliveira e o Enzo. O Gonçalo fez na quarta-feira um jogo num sintético, em Milão, 90 minutos. Para quem joga a médio-defensivo, como o Enzo, jogar a central não é difícil. Seria difícil se jogássemos em bloco baixo. O Enzo fez uma boa semana de trabalho e um ótimo jogo.”
Já Richard Ríos, médio do Benfica, destacou a importância da vitória e o trabalho coletivo, num jogo onde registou duas assistências. “Acho que foi uma vitória muito importante e temos trabalhado bastante. As semanas têm sido longas para trabalhar, não tínhamos tido tanto tempo para trabalhar juntos antes. Fico feliz pelas assistências, mas mais pela vitória. Merecíamos os 3 pontos”, referiu. O jogador colombiano sublinhou a diferença que o tempo de treino faz no desempenho da equipa: “Quando temos mais tempo de trabalho, é mais fácil. Podemos trabalhar várias coisas, conhecermo-nos mais juntos. Trabalhar mais tempo é bom e fixarmos o que o treinador pediu. E o que queríamos que era sair com a vitória.” Por seu turno, Gil Lameiras, técnico do V. Guimarães, lamentou os erros individuais que resultaram nos golos sofridos. “Penso que entrámos bem no jogo. Conseguimos instalar o nosso jogo e, comparativamente com os últimos jogos, penso que melhorámos em termos defensivos. Depois, com bola, não podemos, neste nível, dar as bolas que demos. Isso traduziu-se em golos para o Benfica, porque o Benfica é uma equipa com muita qualidade individual e estes erros pagam-se caro nos jogos”, declarou o treinador vitoriano. Lameiras, contudo, fez questão de expressar o seu orgulho pela atitude dos seus jogadores: “Mas não poderia deixar de dizer que estou muito orgulhoso daquilo que os meus jogadores fizeram, pela personalidade que mantiveram dentro de campo e pela forma como, depois de estarmos a perder, fomos à procura do empate, mesmo já com 2-0. Ou seja, nós, com o jogo controlado, com bola, entregámos algumas bolas que, neste nível, se pagam caro e depois também acho que faltou uma pontinha de sorte à nossa equipa. Podíamos ter feito o 1-1 em algumas situações e, depois, com o 2-0, a equipa manteve a personalidade e acabámos por sofrer o terceiro já num momento em que estávamos muito desgastados.” O técnico também abordou a escolha dos titulares para este jogo, após a sua recente transição para a equipa principal: “No primeiro jogo não tínhamos feito muitas alterações, porque tudo isto, a minha mudança para a equipa A, surgiu de uma forma muito rápida. Esta semana já tivemos um bocadinho mais de tempo para trabalhar com os jogadores e, depois, basicamente, eles conquistaram a titularidade. Durante a semana, aquilo que foram produzindo traduziu-se no onze inicial. Não tentámos olhar muito para o Benfica. Obviamente olhámos com atenção, mas quisemos olhar muito mais para nós, porque penso que (...)” Para além da análise ao jogo, Mourinho também dedicou um momento emotivo para recordar Silvino Louro, falecido recentemente. “Não ter podido estar no funeral, e vendo ali no ecrã a imagem dele, foi pesado. Mas vou recordar-me sempre das palavras que ele me dizia antes dos jogos, quando estava comigo e posteriormente pelo telefone: 'Mano, hoje vai correr bem'. E pronto, o meu pai dizia-me sempre: 'Tenho muita fé'. O meu mano Silvino era 'Mano, hoje vai correr bem'. Quero rir-me muito à conta dele e o pessoal que está lá em Setúbal, o Hernâni, o Paulo, aqueles grandes amigos que ele tem lá. Tenho de me rir muito à conta dele”, partilhou. Mourinho concluiu com uma reflexão pessoal: “A minha mulher dizia-me ontem que era difícil acreditar. É difícil acreditar que ele foi embora. Ficam as memórias. É tempo ainda de chorar por ele, mas vai haver muitos anos para podermos rir muito. Estar com ele, trabalhar com ele, viver com ele é rir muito. Temos muito para rir e para falar dele. Ele é daquelas pessoas por quem é fácil apaixonar-se. Eu, a minha mulher e os meus filhos estamos todos como estamos. Agora é olhar para a família, para os filhos e dar aquela força. Tentar rir muito. Vou-me recordar do que ele me dizia sempre antes dos jogos: ‘Mano, hoje vai correr bem’.”