Mourinho explica ausência em conferência de imprensa e decisões táticas

  1. Mourinho não comparece em conferências suspenso.
  2. João Tralhão representou Mourinho em Madrid.
  3. Sudakov e Lukebákio tinham limitações físicas.
  4. Mourinho acompanhou o jogo à distância no autocarro.

José Mourinho, técnico do Benfica, abordou a sua ausência na conferência de imprensa após o jogo em Madrid e detalhou os motivos por trás de algumas das suas decisões táticas na partida. O treinador explicou a sua filosofia em relação às conferências de imprensa quando está suspenso, uma prática que mantém ao longo da sua carreira. “Por que é que não estive (na conferência de imprensa) em todas as vezes que estive castigado para um jogo? É um princípio que é meu, que podem respeitar, ou não. Estás impedido de trabalhar, de ir ao balneário, de comunicar diretamente com os teus jogadores. Por que razão deves ir à conferência de imprensa? Não vejo razão para isso”, afirmou Mourinho. O técnico sublinhou que a sua ausência não é uma manobra para evitar questões difíceis, mas sim uma coerência com a sua forma de agir. “Se tivesse sido uma coisa que eu tivesse feito pela primeira vez na vida, aceitaria que pudessem relacionar com a tentativa de fugir a alguma pergunta menos simpática, mas quem conhece a minha história sabe perfeitamente que em todas as situações em que estive suspenso nunca fui a uma conferência de imprensa.”

Mourinho justificou a representação de João Tralhão, destacando a sua competência e a confiança que nele deposita. “O João Tralhão é um treinador como eu, com formação, experiência, muito representativo daquilo que é o Benfica. Cada palavra sua é uma palavra minha. Não tive motivo nenhum para não me fizesse representar pelo João, da mesma maneira que o seu chefe de redação não vê nenhum problema que seja você a vir aqui à conferência de imprensa do Benfica. É porque confia em si”, explicou o treinador. Além disso, Mourinho esclareceu as escolhas de jogadores para a partida, nomeadamente a situação de Sudakov e Lukebákio, e a entrada de Ivanovic. “Há coisas que não sabem nem têm de saber. O Sudakov não jogou com o AVS e foi lesionado para Madrid, porque nas competições europeias podemos ter 12 jogadores no banco, mas tinha muito poucas possibilidades de jogar. Também parece que espantou muita gente o facto de o Lukebákio não ter jogado, mas está numa situação (física) que não é fácil e amanhã volta a não jogar de início. (Estava no banco para) No caso de estarmos a um golo de podermos prosseguir a nossa luta, e mesmo assim deixava a dúvida na equipa técnica de, se fôssemos a prolongamento, como poderia ele jogar mais 30 minutos. O Ivanovic entrou, como poderia ter entrado outro jogador, mas queríamos dar mais velocidade no lado esquerdo e ter um jogador que pudesse atacar mais os espaços e ser uma presença na área.” Mourinho concluiu esta parte afirmando que não é pago para dar explicações detalhadas à imprensa: “E podíamos estar aqui a falar muito tempo, mas o Benfica não me paga para vos dar explicações.”

O treinador revelou também como acompanhou o jogo à distância, descrevendo a sua experiência como frustrante, mas com o trabalho realizado. “Foi uma coisa que me entristeceu, é frustrante, mas o trabalho foi feito. O facto de ter ficado no autocarro é minha prática comum quase sempre que sou suspenso. Tinha quatro monitores com quatro ângulos diferentes que me permitiram dizer, no final do jogo, que a única coisa da qual senti falta foi do contacto direto, a emoção, a empatia e a adrenalina. Porque, se calhar, o futuro e as modernices empurrarão o treinador principal, como já se faz em alguns desportos, ficar numa posição privilegiada de controlo sobre tudo”, detalhou Mourinho.

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