Benfica criticado por gestão de alegado caso de racismo

  1. Alegado incidente de racismo entre Prestianni e Vinícius Júnior
  2. Benfica falha na gestão de crise e comunicação
  3. José Mourinho relativiza gravidade do racismo
  4. Clube perde oportunidade de afirmar princípios contra racismo

A semana do Sport Lisboa e Benfica foi marcada por um alegado incidente de racismo durante o jogo contra o Real Madrid, envolvendo o jovem jogador Prestianni e Vinícius Júnior. O caso expôs a necessidade de uma gestão de crise mais sensível e eficaz por parte da estrutura encarnada, levantando questões sobre a proteção de jogadores e os valores institucionais.

A situação escalou com versões contraditórias e a pressão mediática crescente. Como analisa criticamente uma fonte: (Há momentos em que um clube tem de escolher entre proteger um jogador e proteger os seus valores. É nesses momentos que se percebe a verdadeira dimensão de uma instituição). Acrescenta ainda que (num contexto de pressão mediática permanente, as grandes instituições têm de saber que há linhas que simplesmente não podem ser pisadas). O alegado insulto racista extravasou a dimensão competitiva, e a perceção interna foi a de que a estrutura falhou em dar o devido apoio a Prestianni, de 20 anos. (Num assunto desta natureza, deixar um jovem sozinho é um erro estratégico e humano.) A comunicação do clube, com uma publicação oficial nas redes sociais às duas da manhã, foi considerada pouco clara e com falta de perceção da realidade, ao invés de (garantir com convicção que os factos não ocorreram, se essa fosse a certeza interna, ou anunciar uma averiguação rigorosa).

A gestão do caso por parte do Benfica foi amplamente criticada, inclusive pela falta de intervenção do presidente Rui Costa. (Uma instituição com a dimensão do Benfica tinha de ter percebido, de imediato, o alcance do que estava a acontecer. Não apenas desportivo — reputacional.) A intervenção de José Mourinho, sugerindo que o festejo de Vinícius Júnior poderia ter contribuído para o incidente, foi considerada perigosa por relativizar a gravidade do racismo. (Porque aproxima-se da ideia de que o contexto pode justificar o inaceitável. Pode haver provocações. Pode haver tensão. Pode haver excesso competitivo. O que não pode haver é qualquer tentativa de contextualizar ou relativizar um alegado insulto racista.) Adicionalmente, um assessor de comunicação do clube envolveu-se numa ameaça a um jornalista, e imagens contradisseram um comunicado oficial sobre uma discussão no túnel, minando a credibilidade da comunicação do clube. (Quando a realidade desmente a versão oficial, o problema deixa de ser mediático — passa a ser de credibilidade.) O artigo conclui que, independentemente da veracidade do insulto, o Benfica teve uma oportunidade perdida de afirmar inequívocamente os seus princípios contra o racismo, uma vez que (os títulos ganham-se em campo. A reputação constrói-se nas decisões difíceis.) Numa perspetiva externa, (o caso entre Prestianni e Vinícius Júnior assumiu proporções gigantescas e graves, expondo mais uma vez o problema do racismo no futebol.) A conclusão é que (o Benfica deve humanizar mais a abordagem. Uma intervenção clara de Rui Costa, o presidente do Benfica, poderia ter mostrado de forma mais inequívoca que o clube não tolera, nem permitirá, qualquer forma de racismo.)

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