A recente partida entre o Benfica e o Real Madrid, a contar para a primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, foi palco de uma controvérsia que se estendeu para além das quatro linhas. A celebração efusiva de Vinícius Júnior, após ter marcado o golo da vitória do Real Madrid (1-0) no Estádio da Luz, suscitou a crítica de José Mourinho, treinador do Benfica. No entanto, as palavras do técnico português não tardaram a ser contestadas por Jamie Carragher, antigo central do Liverpool, que considerou o discurso de Mourinho “um pouco hipócrita”.
A reação de Carragher, expressa em direto para a CBS Sports, surgiu na sequência das declarações de Mourinho, que questionou a forma de festejar do avançado brasileiro: “Porque é que o festejas assim e não como um dos melhores do mundo, como Di Stéfano, Pelé, Eusébio... porque é que não festejas com a alegria de marcar?”. Esta interrogação do técnico português foi prontamente refutada por Carragher, que defendeu a liberdade individual de celebração dos jogadores, especialmente perante as acusações de racismo. “Cada um pode celebrar como quiser e Vinícius não deveria sofrer insultos racistas”, afirmou o ex-jogador, sublinhando a gravidade da acusação de racismo feita por Vinícius a Gianluca Prestianni após o confronto.
A crítica de Carragher incidiu diretamente sobre o historial de Mourinho, lembrando episódios em que o próprio treinador português foi protagonista de celebrações e provocações. “Parece um pouco hipócrita vindo de Mourinho, um homem que celebrou e possivelmente provocou os seus rivais mais do que qualquer outro treinador no passado”, disse Carragher, evocando memórias que desacreditam a posição do técnico benfiquista. “Lembram-se dele a correr pelo campo em Old Trafford? Lembro-me de Mourinho, numa final da Taça contra o Liverpool, quando o Chelsea marcou um golo nos últimos minutos, a dizer aos adeptos do Liverpool para se calarem. É um pouco hipócrita da sua parte criticar Vinícius. Foi um golaço num jogo da Liga dos Campeões e ele tem todo o direito a festejar como quiser”, concluiu Carragher, reforçando que a intensidade de um golo decisivo num jogo da Liga dos Campeões justifica a efusividade na celebração, à qual Vinícius Júnior tem todo o direito de expressar como bem entender, não devendo ser alvo de escrutínio, especialmente vindo de figuras que, no passado, adotaram comportamentos semelhantes.