Mourinho reage à expulsão na Youth League e critica arbitragem e UEFA

  1. Mourinho foi expulso no Benfica-Real Madrid.
  2. Crítico da arbitragem de Anthony Taylor.
  3. Final da Liga Europa 2023: 14 cartões amarelos.
  4. Mourinho suspenso 4 jogos pela UEFA.

José Mourinho continua a ser uma figura mediática, e as suas declarações pós-jogo do Benfica-Real Madrid, na Youth League, voltaram a gerar burburinho. O técnico português, expulso no final da partida, não se coibiu de expressar o seu desagrado com a arbitragem e com a UEFA, recuperando memórias amargas do passado. Em Madrid, na sala de imprensa, o treinador realçou a sua insatisfação que tem vindo a acumular, nomeadamente em relação ao árbitro Anthony Taylor, e os motivos pelos quais não quer contar com a sua presença em jogos futuros.

A polémica com Anthony Taylor não é recente. Já em 2016, quando treinava o Manchester United, Mourinho questionou a escolha do árbitro inglês para um jogo contra o Liverpool. “Alguém com alguma intenção está a colocar-lhe pressão”, disse então Mourinho, ele que foi depois acusado pela Federação Inglesa de Futebol de violar os regulamentos. Contudo, o episódio mais marcante ocorreu na final da Liga Europa de 2023, entre a AS Roma de Mourinho e o Sevilha, onde Taylor mostrou 14 cartões amarelos e concedeu quase 30 minutos de compensação. Após a derrota da Roma, Mourinho explodiu: “Ver este tipo de arbitragem numa final europeia é muito, muito difícil.” A situação escalou na garagem do estádio, onde o técnico proferiu palavras mais duras: “É uma desgraça do c******” e “não há vergonha da p*** da cara”. Estas declarações valeram-lhe uma suspensão de quatro jogos da UEFA, com Taylor a afirmar, mais tarde, que aquela foi a “pior situação de abuso” por que passou.

No rescaldo do jogo entre Benfica e Real Madrid, Mourinho foi questionado sobre a sua expulsão. “Disse ao árbitro que sabia que ele sabia que eu sabia que Huijsen, Carreras, Tchouámeni estavam amarelados e não podiam ver cartão. Quando o Carreras simulou, não levou cartão amarelo, quando Tchouámeni fez falta, também não. Ele quis não apenas jogar este jogo, mas também o próximo, e eu disse-lhe isso. E ele expulsou-se, mas sabe que disse a verdade”, justificou Mourinho, dando a entender que a sua expulsão se deu por dizer verdades inconvenientes. Em relação à sua ausência no banco no segundo jogo, Mourinho relativizou o impacto no jogo futuro. “Não estar no banco não terá grande impacto, porque o treinador joga mais na preparação do jogo. O facto de não poder comunicar com a equipa e assistentes, não ir antes e durante o jogo ao balneário... tenho de confiar nos jogadores e nos assistentes. Obviamente que é negativo. Ainda por cima trata-se de um jogo difícil, a perder por um a zero e contra uma equipa fantástica, mas é o que é. A única coisa positiva que vejo é que não vou à Imprensa antes e depois do jogo, porque estou expulso. De resto, gosto do jogo e é a minha tarefa tratar os meus e neste jogo só poderei ajudá-los até o jogo começar. Para mim é uma frustração. Uma coisa é ser expulso por estupidezes, outra é ser expulso por dizer a verdade.”

Quanto à análise do jogo em si, Mourinho fez um balanço agridoce. “Foi uma primeira parte que teve duas partes: uma até ao golo e outra depois do golo. Até ao golo foi um bom jogo, o Benfica entrou bem, muito forte, mas progressivamente, com a qualidade que tem, o Real Madrid foi começando a virar o jogo e acabou a ser mais forte no final da primeira parte. Na segunda parte tentámos fazer a mesma coisa, entrar forte, a competir olhos nos olhos, mas o Vinícius faz um golo do outro mundo. E depois acabou o jogo.” O técnico português também comentou o incidente envolvendo Vinícius Jr. e Prestianni: “Quero ser mais equilibrado e independente do que foi o Álvaro [Arbeloa]. O Vini diz uma coisa, falei com o Prestianni, que disse outra coisa. Neste mundo do futebol, com o que se passa dentro do campo tento ser sempre um pouco mais equilibrado; e não quero com isto dizer que Vinícius é um mentiroso e o Prestianni um rapaz incrível. Álvaro optou por uma perspetiva diferente, Kylian [Mbappé] também, eu não quero entrar por aí. O que digo é que acontece em tantos estádios sempre com o mesmo, alguma coisa não está bem. Marcas um golo do outro mundo, por que celebras assim? Por que não celebras como Di Stefano, Pelé, Eusébio celebravam? Mas foram 50 e tal minutos de um bom jogo, o Benfica jogou no seu limite e disse aos jogadores que estou orgulhoso de jogar assim contra o Real Madrid. Fizemos um grande jogo, mas depois o Real mostrou que é uma grande equipa, grandes jogadores.”

Apesar da derrota, Mourinho elogiou a postura da sua equipa. “Mas nós é que assumimos o domínio. O Courtois fez uma defesa fantástica a um remate do Aursnes. O Benfica entrou muito forte e era essa a intenção, mas sabíamos da qualidade dos jogadores contra quem jogávamos. Neste espaço de tempo, entre o jogo da fase de liga e este, a equipa do Real organizou-se de outra maneira, e nós adaptámo-nos, jogámos olhos nos olhos.” Por fim, sobre a dificuldade de eliminar o Real Madrid, Mourinho mantém a esperança. “Não. Será necessário jogar muito bem durante todo o jogo e ter a sorte que precisas nestes jogos.”