A preparação do Benfica para o crucial embate da Liga dos Campeões contra o Real Madrid está envolta em incerteza, com o treinador José Mourinho a lidar com as dores de cabeça
resultantes de uma série de contratempos. O médio norueguês Fredrik Aursnes, um dos pilares da equipa, queixou-se de desconforto muscular no treino de quinta-feira. Este facto levou a que falhasse o jogo do campeonato com o Santa Clara e, agora, é dúvida para o difícil duelo de terça-feira com o Real Madrid, na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da UEFA Champions League. A sua ausência seria um rude golpe para o Benfica, dada a sua influência em campo.
A recuperação do médio nórdico é considerada muito difícil. Contudo, apurou A BOLA, os encarnados ainda mantêm alguma esperança de que o jogador possa ser opção, pelo menos como alternativa no banco de suplentes. Este cenário dependerá da resposta aos tratamentos, da gestão de carga nos treinos e das sucessivas reavaliações dos médicos do clube. Aursnes é um dos jogadores com mais peso na temporada encarnada, tendo atuado em 40 dos 41 jogos da equipa – 38 como titular – totalizando 3.420 minutos, o segundo registo mais elevado do plantel. Há algum tempo que o médio lidava com sinais de desgaste competitivo, fator que aumentou o risco de lesão. “Na parte final do jogo, tive de me benzer para pôr o Aursnes em campo porque era um risco enorme, mas senti que a equipa precisava da sua tranquilidade [...] A situação do Aursnes é preocupante”
, admitiu o treinador no final do jogo com o Estoril (3-1), para a Liga, no dia 3 de janeiro.
As “costas largas de Mourinho”
têm sido fundamentais para o Benfica, como sublinha A BOLA: “Independentemente dos resultados de Sporting e FC Porto nos jogos de hoje, é justo reconhecer o trabalho que José Mourinho tem feito no Benfica e a resposta do plantel numa temporada marcada por várias contingências, problemas internos e alguns erros de avaliação. Ainda assim, a equipa das águias tem revelado alma e resistência, alternando entre a iminência do fracasso e o assombro do sucesso.”
A resiliência da equipa, sob a liderança de Mourinho, permitiu superar um início de temporada conturbado, marcado pela “participação desgastante no Mundial de Clubes, nos Estados Unidos”
, pelo “despedimento de Bruno Lage”
e “saída de jogadores importantes”
. A aposta em Mourinho tem-se revelado um trunfo, com o técnico a “reinventar a equipa no meio de uma temporada que tinha todos os indícios para ser bem mais complicada”
. O treinador encontrou um grupo disponível para aprender e crescer, como ele próprio tem sublinhado em várias ocasiões. Mesmo afirmando que nunca deixará de ser o mesmo — Mourinho é Mourinho, sublinhou recentemente o próprio —, o treinador do Benfica tem demonstrado capacidade de adaptação, firmeza nas ideias e uma liderança que voltou a dar identidade ao grupo.
Além de Aursnes, Mourinho lida com outras preocupações. Amar Dedic falhou as últimas quatro jornadas do campeonato devido a problemas físicos. Já Richard Ríos, que contraiu uma lesão no ombro direito e falhou sete jogos, reapareceu nos treinos do plantel na semana passada. Menos preocupante é o caso de Tomás Araújo, que foi protagonista de um susto na visita ao Santa Clara, agarrando-se ao joelho direito, mas já foi reavaliado pela equipa médica do Benfica e tem via aberta para ser aposta de Mourinho, fazendo dupla com Otamendi no eixo defensivo. Dodi Lukebakio, por sua vez, é reforço garantido no ataque aos oitavos da Champions, tendo sido convocado para a deslocação aos Açores. O treinador dos merengues disse esperar que não se repita o que aconteceu na fase de liga da Liga dos Campeões e que agora os seus jogadores sabem o que podem encontrar na deslocação a Lisboa.