Anísio Cabral, uma jovem promessa que, há poucas semanas, era desconhecido para a maioria dos adeptos do Benfica, tem vindo a consolidar o seu lugar na equipa principal do clube. Com apenas 17 anos, e prestes a completar 18, o campeão do mundo de sub-17 tem demonstrado um notável faro de golo, surgindo como um jogador decisivo em momentos cruciais para os encarnados.
O impacto de Anísio foi visível, num guião que parece repetir-se. “É fazer golos. Falta-nos fazer golos. Há jogadores que, por natureza, têm golo”, reconheceu Mourinho, técnico do Benfica, destacando a capacidade inata do jovem. “O Anísio tem golo. É abençoado. Chega, cabeça, golo”. Esta capacidade tem-no elevado na hierarquia da equipa, tornando-o no segundo avançado preferencial de Mourinho em detrimento de Franjo Ivanovic, uma aquisição de 22,8 milhões de euros. Nélson Lemos, presidente do Alta de Lisboa e antigo diretor da Escola Benfica Alta de Lisboa, descreve o jogador com carinho: “O Anísio era um jogador que tinha uma alegria grande e isso transparecia para o campo. Era muito criativo e um finalizador nato. Fazia parte dele. Ele pegava na bola e, em duas oportunidades, metia dois golos”.
Apesar de Ivanovic ter jogado pouco, Mourinho sempre o manteve nas convocatórias. “O Ivanovic tem jogado pouco, mas tem estado sempre presente, nunca ficou fora de uma única convocatória. Utilizei-o quando achei que devia utilizar, quando foi um jogo em que eu senti que as características do adversário, a maneira como o adversário jogava - um adversário que eu conhecia muitíssimo bem como foi o caso do Napoli - eram ideais para as suas características”, justificou o treinador. No entanto, a imprevisibilidade e espontaneidade de Anísio têm conquistado o seu espaço, com Nélson Lemos a reforçar: “Julgo que o Anísio será, obviamente, uma aposta do Benfica, tal como o Stevan. Há que aproveitar a espontaneidade e imprevisibilidade deles na equipa do Benfica.” O jovem Anísio Cabral, ao lado de Stevan Manuel, carregam o nome do Alta de Lisboa e prometem um futuro promissor no futebol, sendo que, como resumiu Pedro, seu antigo treinador, “O Benfica tem nove campeões do mundo, mas o Alta de Lisboa tem dois.” Isto demonstra a importância de clubes de formação como o Alta de Lisboa, tal como referiu o mesmo: “É bom olharmos para estes clubes que às vezes não aparecem tanto, mas que têm um papel fundamental naquilo que é a formação e o transporte dos jogadores para patamares superiores. É muito importante que haja esse reconhecimento muitas vezes, porque o último símbolo onde os jogadores jogam é sempre lembrado, mas o primeiro costuma ser esquecido e é importantíssimo”.