Mourinho: «Acreditar sempre é defeito de fabrico» e exige “dois dígitos” aos avançados

  1. Mourinho não desiste do título
  2. Exige mais de Prestianni, Sudakov e Schjelderup
  3. Avançados devem atingir dois dígitos de golos
  4. Aposta na profundidade dada por Rafa

José Mourinho, o icónico técnico do Benfica, reafirmou a sua inabalável crença no título, mesmo com FC Porto e Sporting à frente na tabela. As suas declarações, proferidas na antevisão do jogo contra o Alverca, num clássico que opôs dragões e leões, sublinham a sua conhecida postura de nunca desistir.

Mourinho descreveu a sua persistência como um “defeito de fabrico”, uma característica que o define tanto nos momentos positivos como nos negativos. A sua pragmática abordagem ao futebol foi evidenciada ao recordar a reação dos seus colegas após o terceiro golo contra o Estrela da Amadora, onde, apesar da vantagem, Mourinho alertou: “ainda falta muito tempo”. O técnico encarnado garantiu que vai “perseguir” os adversários enquanto as “contas da matemática o permitirem”.

A crença inabalável no título

“Acreditar sempre? É defeito de fabrico. Sou assim, no positivo e no negativo. Se quiserem rir, riam, mas no outro dia, quando marcámos o terceiro golo ao Estrela da Amadora [3-0, aos 58’], os meus colegas disseram-me ‘já está!’. E eu disse: ‘não está nada, ainda falta muito tempo’. Para o positivo e para o negativo, sou muito pragmático”, afirmou Mourinho, revelando a sua inegável convicção.

O treinador fez questão de recordar a sua filosofia: “Quando estive na frente dos campeonatos disse sempre que só seríamos campeões quando o fôssemos mesmo. E das vezes em fui atrás, fui sempre à caça até que matematicamente não fosse possível dar a volta. Neste momento é matematicamente possível dar a volta e vamos atrás deles”.

A “gulodice” dos avançados

Após a vitória sobre o Alverca, Mourinho debruçou-se sobre a questão da finalização, abordando a aparente falta de “gulodice” dos seus avançados. O técnico desafiou Prestianni, Sudakov e Schjelderup a melhorarem os seus números, sublinhando que os jogadores de ataque devem aspirar a atingir os dois dígitos de golos por temporada.

“Fazer golos. Há jogadores que, por natureza, têm golo. O Anísio tem golo. É abençoado. Chega, cabeça, golo. Há outros jogadores que não têm muito golo. Estou a tentar modificar isso nos nossos jogadores mais ofensivos. O golo que o Schjelderup fez hoje é um golo que eu adoro, porque é um tap in, um encostar na baliza, mas é seguir a jogada, ter a ambição de fazer golo e ser guloso. Nós não temos muitos jogadores gulosos. Pelo contrário, temos muito jogador que não gosta de doce. O doce está ali e eles não vão buscar. Eu gosto de jogadores ofensivos gulosos e não temos muitos com esse DNA”, criticou Mourinho.

Melhorar os números para a elite

Mourinho prosseguiu a sua análise sobre os avançados, questionando o seu historial de golos: “Vão ver estatisticamente o historial destes nossos jogadores de ataque: quantos golos marcaram na carreira o Prestianni, o Sudakov e o Schjelderup?”.

Para o treinador, a exigência é clara: “Estamos a falar de muito bons jogadores, que estão a melhorar em muitos aspetos do jogo, mas temos de melhorar números. Jogadores de ataque têm de fazer mais do que nove golos. Têm de entrar nos dois dígitos numa época. Menos de dois dígitos é para médios e centrais que vão lá de vez em quando”, sentenciou.

Opções táticas para o futuro

Por fim, Mourinho abordou as opções táticas, comparando as qualidades de alguns dos seus jogadores em ataque. “Dá mais profundidade do que o Sudakov. O Sudakov baixa mais do que ele e pega no jogo em zonas interiores. Durante a primeira parte perguntei-me se não estava a faltar o Sudakov para dar continuidade ao nosso jogo ofensivo, mas ele não está a definir bem nos últimos metros. O Rafa dá mais profundidade e chega mais. Na segunda parte há uma bola em que ele aparece na área e desvia ao poste. Neste tipo de situação ele chega. Jogar os dois juntos é uma opção para nós”, analisou o técnico, referindo-se aos seus jogadores.

Mourinho concluiu com perspetivas para os próximos jogos: “Às vezes há a tendência de se dizer que quando um jogador está o outro não está. Uma equipa grande precisa disto e penso que para a semana, contra o Aves, poderemos também ter Lukebakio, que nos dará outro tipo de jogo”.

Mercado de inverno em Portugal destaca estratégias distintas dos três grandes

  1. Benfica reforçou-se com Sidny Lopes Cabral e Rafa.
  2. Sporting e FC Porto focaram em contratações a longo prazo.
  3. Rafa regressou após lesão desde novembro.
  4. Braga priorizou o futuro sobre soluções imediatas.