Candidatura antes do fim da época
Apesar de ainda faltar mais de um ano para as próximas eleições do Benfica, João Diogo Manteigas não quis esperar pelos resultados desportivos do clube para lançar a sua candidatura. O advogado, de 42 anos, foi o primeiro a assumir-se como candidato à presidência dos encarnados, uma decisão que explica pela necessidade de se afirmar desde já como uma alternativa à atual direção liderada por Rui Costa.
«Não somos oposição a absolutamente nada, nem temos interesse em ver o Benfica perder para podermos cativar e ter importância para eleições. Não somos políticos a esse ponto, nem somos estratégicos a esse ponto. A segunda parte é, para mim, ainda mais importante. Toda a premissa da nossa candidatura passa por termos tempo para ouvir os sócios», afirma Manteigas, que garantiu já ter 80 a 85% do programa eleitoral definido, mas deixou uma margem para integrar as sugestões dos adeptos.
Requisitos de elegibilidade
Uma das questões em torno da candidatura de Manteigas prende-se com a sua elegibilidade, já que os estatutos atuais do Benfica exigem 25 anos de sócio efetivo para se poder candidatar. O advogado, que é sócio desde 1984, esclareceu que fará os 43 anos obrigatórios na data das eleições, cumprindo assim os requisitos.
«Esclareço, com um sorriso nos lábios. Quando lancei a candidatura disseram, até, que eu tinha 36 anos. Agradeço, mas o cabelo e a barba branca já não deixam enganar. Tenho 42 anos, nasci a 1 de outubro de 1982, sou sócio desde setembro de 1984, há 40 anos», explicou.
Críticas à atual direção
Quanto à atual direção de Rui Costa, Manteigas não tem dúvidas de que a sua candidatura representa uma «rutura» com o modelo de gestão implementado nos últimos anos. O candidato considera que a gestão desportiva e económica-financeira da direção atual não é sustentável e promete trazer uma alternativa.
«É uma candidatura de rutura com aquilo que é o modelo político, organizativo, desportivo, acima de tudo, e económico-financeiro. A gestão de hoje não vem de há um ano, de há dois anos. Não passámos do oito ao oitenta hoje. É um processo que tem vindo a ser desenvolvido, infelizmente, há largos anos», criticou.
Apesar das críticas, Manteigas garante que a sua candidatura não pretende ser uma «guerra» contra a atual direção, mas sim apresentar uma «alternativa» que permita «conservar de forma imaculada» o Benfica e os seus objetivos de vitória. O candidato assume ainda uma «obsessão» pela «hegemonia» do clube da Luz, ambicionando devolver ao Benfica o estatuto de «uma das poucas entidades mundiais que consegue criar essa hegemonia».