O AVS tornou-se a primeira equipe a ser despromovida na edição 2025/26 da I Liga, confirmando um desfecho há muito antecipado por uma temporada de grandes dificuldades. A descida de divisão foi matematicamente confirmada após o triunfo do Nacional frente ao Alverca (1-0), que impossibilitou qualquer hipótese de permanência para a equipe de Vila das Aves no principal escalão do futebol português. Este desfecho ocorre apenas um ano depois de o AVS ter assegurado a sua permanência na I Liga através do play-off, marcando um contraste acentuado com as ambições iniciais do projeto.
O projeto da SAD, anteriormente associado ao Vilafranquense, foi transferido para Vila das Aves em 2023/24 com o objetivo de alcançar rapidamente a I Liga. A subida foi concretizada logo na época de estreia, após duas vitórias por 2-1 no play-off frente ao Portimonense. No entanto, a passagem pela I Liga foi marcada por instabilidade e trocas de treinador. Jorge Costa, que liderou o AVS na subida, deixou o comando técnico, e Henrique Sereno foi substituído na presidência da SAD por Miguel Socorro. Vítor Campelos, Rui Ferreira e Daniel Ramos também passaram pelo banco do AVS antes de José Mota assumir o comando e garantir a permanência no play-off frente ao Vizela.
Apesar da permanência na época anterior, as fragilidades na planificação do plantel para 2025/26, com saídas importantes e entradas sem o impacto esperado, agravaram-se no início da temporada. José Mota saiu após cinco jornadas, e a equipe, já em zona de descida, nunca conseguiu recuperar, mesmo com as passagens de Fábio Espinho, João Pedro Sousa e, por fim, João Henriques. Houve uma vitória inesperada em Guimarães na Taça de Portugal e a primeira vitória na liga apenas em fevereiro, frente ao Estoril Praia. Apesar da despromoção anunciada, João Henriques focou-se em sair com dignidade, procurando superar os 15 pontos do Penafiel em 2004/05 para evitar o pior registo pontual da I Liga em edições com 18 clubes.
A temporada do AVS foi um reflexo de decisões desportivas e estruturais que culminaram na despromoção. A incapacidade de estabilizar a equipe técnica e de construir um plantel competitivo após a subida revelou-se fatal. A saída de Diogo Boa Alma, entretanto nomeado diretor-geral para o futebol, e a tentativa de reformulação do plantel no mercado de inverno, com a saída de uma dezena de elementos, não foram suficientes para inverter a tendência negativa. A trajetória da equipe demonstra as dificuldades que os clubes recém-promovidos enfrentam para se manterem no topo do futebol português, especialmente quando há uma sucessão de problemas internos e no planejamento desportivo.