A Câmara Municipal do Porto afirmou que não irá intervir no leilão do Estádio do Bessa, apesar da pressão pública para tal. A autarquia justifica a sua posição afirmando que “não deve, nem pode interferir num processo desta natureza, condicionando o seu regular desenvolvimento ou impedindo o normal funcionamento do mercado”
, conforme comunicado à agência Lusa. Esta declaração surge após apelos de figuras como João Loureiro, antigo presidente do Boavista, que defendia a intervenção municipal para proteger o património do clube.
O município, liderado por Pedro Duarte, referiu ainda que qualquer participação numa hasta pública estaria sujeita à aprovação dos órgãos autárquicos, reiterando que “não participará no leilão associado ao processo”
. Paralelamente, uma petição pública lançada em novembro propõe o reconhecimento do clube como património imaterial de interesse municipal e a classificação do Estádio do Bessa e infraestruturas como bens de interesse público, visando condicionar a sua alienação.
Apesar de afastar a intervenção direta, a Câmara do Porto manifestou preocupação com a situação do Boavista, cujo estádio e complexo desportivo estão a ser leiloados por 38 milhões de euros no âmbito de um processo de insolvência, com um passivo superior a 150 milhões de euros. A autarquia reconhece o “peso histórico, desportivo e social”
do clube, mas salienta que a resolução do problema cabe à direção do clube. Garante, contudo, estar aberta ao diálogo para “assegurar a continuidade da atividade desportiva e formativa”
de centenas de jovens atletas, evitando prejuízos para as famílias e para a cidade. O leilão do Estádio do Bessa decorre até 20 de maio.