A Assembleia Geral (AG) extraordinária, solicitada pelo movimento Unidos pelo Boavista
para destituir a direção do clube axadrezado, não se vai realizar. A Mesa da Assembleia Geral (MAG) anunciou na última quinta-feira que a iniciativa ficou sem efeito devido à falta de quórum. A mensagem enviada aos associados das panteras
pela MAG informa que “Após o apuramento dos signatários e do número total de sócios efetivos referente ao mês de abril, constatou-se que não foi alcançado o quórum de um quinto de subscritores. Por não estarem reunidas estas condições exigidas pelos estatutos do Boavista, não é legalmente possível proceder à marcação da AG extraordinária”
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O movimento Unidos pelo Boavista
havia entregue, em 23 de abril, um requerimento com 270 assinaturas na secretaria do clube. O objetivo era solicitar a convocação de uma AG extraordinária para destituir a direção e nomear uma Comissão Administrativa que gerisse o clube até à realização de novas eleições. Contudo, numa reunião realizada no Estádio do Bessa, no Porto, quatro dias depois, a secretaria informou que o número de sócios efetivos de abril não permitiu que o rácio necessário para a sessão magna extraordinária fosse atingido. A MAG esclareceu que a responsabilidade pela contagem e validação dos votos era exclusivamente da secretaria, que atuou de forma técnica e independente.
Esta situação ocorre num contexto de profundas dificuldades para o Boavista. O clube teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, acumulando dívidas superiores a 150 milhões de euros. Diversos ativos imobiliários, incluindo o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente, estão a ser leiloados. O Estádio, que foi um dos recintos do Euro2004, encontra-se à venda por um valor mínimo de 32,9 milhões de euros. A direção do Boavista já apresentou um pedido urgente de impugnação do leilão e a claque Panteras Negras também anunciou que vai recorrer aos tribunais para tentar suspender o processo. O Boavista, campeão nacional de 2000/01, terminou 11 épocas seguidas na I Liga em 2024/25, ao descer à segunda divisão. A SAD falhou o licenciamento e foi relegada para o escalão principal da associação do Porto, jogando atualmente no Parque Desportivo de Ramalde. O clube abdicou de competir na última época em solidariedade com as dívidas da SAD.