Augusto Inácio critica desgaste do plantel do Sporting antes de jogo crucial em Londres

  1. Augusto Inácio critica Sporting
  2. Plantel desgastado em abril
  3. Arsenal jogou de forma calculista
  4. Inácio recorda jogo de 1981/82

Augusto Inácio, ex-defesa esquerdo internacional português que representou o Sporting entre 1974 e 1982 e os levou ao título em 1999/00, analisou o momento atual dos leões, especialmente antes do confronto decisivo em Londres frente ao Arsenal. O ex-jogador expressou a sua preocupação com o desgaste físico da equipa, que se encontra a lutar em várias frentes. “Acho que não tem plantel para todas as frentes, mas um clube como o Sporting e o próprio treinador Rui Borges pensam que, estando envolvidos nessas lutas, é para ganhar. Só que estamos em abril e os atletas estão muito desgastados e a ficar já nos limites. É natural que, depois, a equipa acabe por se ressentir”, notou Inácio à agência Lusa. Inácio sublinha que “o Sporting tem um jogo importante em Londres, mas nota-se que a equipa não está fresca e isso vai-se acumulando. Alguns atletas estão fora [por lesão] e outros andam no limite. É preocupante e, às vezes, pode pagar-se caro não ter um plantel com mais profundidade”. Esta observação surge num momento crucial, com o Sporting a disputar a Liga dos Campeões, a I Liga e a Taça de Portugal.

Em relação ao embate anterior com o Arsenal, que os leões perderam por 1-0 em casa, Augusto Inácio teceu fortes críticas à postura dos gunners, que considera ter sido calculista. “Foi um jogo dividido e com alternâncias. Não se pode dizer que o Arsenal tenha sido uma equipa avassaladora e com grandes oportunidades. Foi calculista, cínica e jogou para o resultado da segunda mão. O Sporting também não se destapou muito, sob pena de ser surpreendido, e jogou naquela de tentar marcar um golo, mas também de não sofrer”, analisou o antigo jogador. Inácio destacou a importância de uma abordagem mais agressiva por parte do Sporting no próximo jogo. “De cada vez que apanhar uma perda de bola do Arsenal, o Sporting não pode demorar a atacar, nem jogar para o lado ou para trás, senão dá oportunidade ao adversário para se organizar defensivamente. Já se percebeu que, quando é para defender, o Arsenal fá-lo com 11 e todos ficam atrás da linha da bola”, reconheceu. Ele acredita que “estou convicto de que a primeira parte deste segundo jogo vai ser dentro do tom que se viu em Lisboa. Não estou a ver o Arsenal a expor-se muito, porque sabe que o Sporting é perigoso no contragolpe. Se o Sporting tiver de correr alguns riscos enquanto estiver 0-0, vai ser só no segundo tempo”.

A gestão do plantel e as alternativas no banco de suplentes foram também pontos abordados por Augusto Inácio, que apontou a falta de opções do Sporting para refrescar a equipa, algo que o Arsenal soube aproveitar no jogo anterior. “O Sporting tinha o Souleymane Faye, mas parece que o Rui Borges não acredita muito nele para aquele tipo de jogo. Quem é que ele tinha para, pelo menos, dar mais frescura? Acho que o Sporting perde por estar mais desgastado. O adversário colocou gente de grande qualidade e fisicamente disponível e os jogadores do Sporting não tiveram reação nesse passe do Martinelli. O banco marcou a diferença a favor do Arsenal”, admitiu. A reintegração de Morten Hjulmand, que cumpriu castigo no primeiro jogo, é vista como um fator importante, mas não decisivo, para Inácio. “É um jogador de equilíbrios e complementa-se muito bem com Hidemasa Morita, sendo mais cerebral, frio e posicional que João Simões, que não jogou mal [a titular no encontro inicial da eliminatória]. É evidente que Hjulmand faz sempre falta a qualquer equipa, mas não é por estar disponível que o Sporting passa a ter mais possibilidades de ganhar”, terminou. Em suma, o futuro do Sporting na presente temporada, que pode ser próspero ou desolador, dependerá em grande parte da gestão da condição física dos seus atletas e da estratégia a adotar em campos adversários. “Tudo depende da ideia do treinador e da forma como quer gerir. Todos dizem que querem ganhar, mas os factos é que determinam se estão em posição de o fazer. O Sporting pode ganhar tudo, mas também pode perder. Dado o esforço físico dos jogadores e as poucas alternativas que há para rodar, eu temo que o Sporting possa não ganhar nada”. O Sporting já igualou o seu melhor registo na Liga dos Campeões e, se passar às meias-finais, enfrentará o FC Barcelona ou o Atlético de Madrid.

Análise histórica e comparativa, Inácio recordou ainda um feito do Sporting em Inglaterra, na Taça UEFA de 1981/82, contra o Southampton. “Na véspera, estava com um pico de febre. Deram-me comprimidos e injeções e ainda baixei para os 37 graus, mas, perto do apito inicial, voltei a ter 39. Pediram-me a opinião e eu aceitei ir a jogo. Ganhámos, mas a noite foi horrível para mim, porque o corpo ressentiu-se muito”, recordou Inácio, destacando a sua própria resiliência. Naquele jogo, Inácio teve um papel decisivo ao anular Kevin Keegan. “Apanhei pela frente o craque da seleção inglesa e, se fosse a olhar para o nome, tinha perdido os lances todos. Anulei a sua movimentação ofensiva, porque estive a marcá-lo sempre em cima até à linha de meio-campo e não o deixava virar [para a baliza do Sporting]. Eles marcaram de outra forma e não daquela em que o Kevin Keegan tivesse uma grande preponderância. Com vaidade minha, fiz um grande jogo e o Sporting também”, enquadrou.

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