Rui Borges, o técnico do Sporting, enfatiza a relevância do repouso mental para o desempenho da equipa. Em declarações, o timoneiro salientou as diferenças entre o cenário futebolístico português e as práticas adotadas em ligas estrangeiras. As suas observações surgem num contexto em que a gestão da fadiga psicológica é cada vez mais crucial, dada a intensidade do calendário de jogos a que os jogadores são submetidos.
Rui Borges partilhou a sua perspetiva, revelando: “Tenho tido, na minha experiência, um crescimento a todos os níveis. É difícil - e dou o meu exemplo - chegar ao Sporting e ter jogos de três em três dias quando jogava de semana a semana. Queria era treinar e, de repente, chego aqui, quero treinar e não tenho tempo para treinar, não me deixam treinar ou não posso treinar, porque estou muito preocupado com a parte de recuperação física, mas, acima de tudo, a mental.” Esta declaração sublinha a exigência física e, principalmente, mental que acarreta treinar uma equipa de topo em Portugal.
O técnico continuou, fazendo um contraste com as abordagens internacionais: “Às vezes cansa muito mais a mente que o físico. Por isso é que vemos, cada vez mais - ainda agora o Guardiola -, no -1 [dia antes do jogo], os treinadores darem folga. Se fosse em Portugal os treinadores eram despedidos na hora pelos presidentes. No Mundial de Clubes, os treinos de Luis Enrique [PSG] eram folgas, com os jogadores a irem para a praia, descansar. É cada vez mais isto. Recuperá-los fisicamente, mentalmente e deixá-los cada vez mais leves, prontos mentalmente para o jogo. Depois, no treino, ir muito ao que é a imagem - algumas coisas no campo, sem grandes esforços - mas é muito por aí. Depois entra a alimentação, o descanso - e aí também parte do atleta, pois sabem, melhor que ninguém, quais são as suas obrigações. Aquilo que conseguimos controlar, controlámos ao máximo.”
Abordando a importância de compreender as condições pessoais dos jogadores, Rui Borges detalhou: “A parte mental é, por exemplo, perceber que jogadores que foram pais há meia dúzia de dias, não dormem uma semana inteira e como é que vão estar para o jogo... É percebê-los, conhecê-los e gosto muito de conversar com eles por isso. Num diálogo simples - às vezes até de brincadeira - entendemos muita coisa, se conseguem dar resposta no jogo. Eles próprios dizem se são capazes. Acredito neles e dou-lhes crédito, tal como eles acreditam em mim.”
O treinador verde e branco exemplificou com um episódio concreto: “Com o Bodo/Glimt [5-0, em Alvalade], por exemplo, mais do que o desgaste físico foi mais difícil recuperar o desgaste mental durante a semana. Virar um jogo de 3-0, daquela forma... Estás no alto, tens de respirar e prepará-los para o Alverca. Dei dois dias de folga, estiveram com as famílias, voltaram e ligaram, percebendo que tinham de ganhar; e aí ligam-se mais rapidamente do que se trabalhassem todos os dias. E eles fizeram um grande trabalho.” Esta perspicácia na gestão do plantel tem sido preponderante para a manutenção dos níveis de performance.