Portugal 2-0 EUA: Bruno Fernandes brilha com duas assistências

  1. Bruno Fernandes deu duas assistências
  2. Portugal venceu os EUA por 2-0
  3. José Sá foi o guarda-redes titular
  4. Roberto Martínez fez sete substituições ao intervalo

Após uma primeira parte errática com dificuldades na construção e na ligação entre setores, Portugal melhorou, chegou ao segundo golo e dominou. Bruno Fernandes brilhou com duas assistências (0-2).

As mudanças trouxeram um Roberto infiel ao seu jogo e longe de desvendar o segredo mais bem guardado (a crónica do México-Portugal).

“Foi um jogo taticamente exigente para as duas equipas. Para nós, é muito interessante ver se uma equipa que faz sete substituições ao intervalo consegue continuar com a mesma ideia e isso é o que me deixa mais satisfeito. Temos seis jogadores que não estão cá, mas outros 17 puderam mostrar aquilo que queremos. Isso deixa-me muito feliz. Demorámos 20 minutos a encontrar as nossas linhas de passe, os nossos espaços, mas é isso que acontece normalmente. Passaram cinco meses desde novembro, desde o último jogo… Mas acredito que foi um jogo muito competitivo, muito bom taticamente. Talvez não tão bom para os adeptos porque não houve golos, mas taticamente vamos tirar muitas conclusões”, apontou Roberto Martínez no final, entre elogios à entrada de Vitinha em campo e à forma como Paulinho se entregou à Seleção.

A reinauguração negra do Azteca, a ovação a Paulinho e os 46 jogadores de Martínez: Portugal continua sem perder frente ao México.

Sobre as críticas à falta de qualidade de jogo individual e coletiva, um “jogo” como o resultado final: zero palavras. Mais uma vez, o selecionador apontou para a importância do processo e não tanto para o resultado momentâneo desse trabalho, mesmo tratando-se da última concentração (e a primeira desde novembro) antes da convocatória para a fase final do Mundial. Quase todas as “novidades” entre os eleitos tiveram o seu espaço em campo, à exceção de Mateus Fernandes, Ricardo Horta e Pedro Gonçalves (este sem apresentar índices de 100% a nível físico). Quase todos voltariam agora a ter uma oportunidade no segundo e último encontro particular de Portugal nesta janela de seleção, neste caso em Atlanta frente aos EUA.

“Estamos muito satisfeitos com o que o estágio está a dar. Fazer sete substituições ao intervalo é um desafio importante para poder mostrar a qualidade individual dentro do coletivo. Fizemos isso muito bem. Há muitos aspetos importantes a ajustar: precisamos de chegar com mais jogadores, afinar muito bem a última decisão… Mas fiquei muito satisfeito com tudo o que vimos. Os nossos jogadores mostraram personalidade, responsabilidade e executaram o trabalho muito bem. Agora é continuar e ajustar melhor alguns aspetos. Estamos focados em tentar utilizar o estágio o melhor possível. O nosso foco não é ganhar ao México ou aos EUA, é tentar preparar o Mundial e a nossa escolha final de jogadores. Queremos ganhar, mas o foco agora não é esse”, destacou o técnico espanhol, numa primeira antevisão feita apenas para jornalistas portugueses.

“O foco do estágio é ganhar? Não, o foco é o jogador, o mérito do jogador de poder vestir a camisola de Portugal. Agora é importante ter um estágio onde a preparação para o Mundial seja perfeita. Treinámos ao nível do mar, jogámos na altitude contra uma equipa como o México e agora vamos defrontar uma equipa diferente num estádio fechado. Os aspetos da preparação são importantes, criar a complexidade que o torneio vai ter, mas o foco é o desempenho do jogador. Acredito muito em todos. Se pudesse, todos teriam mais minutos. Este não é o momento de correr riscos, mas sim de experimentar, procurar soluções e poder escolher a melhor lista para o Mundial. Mas sempre que um jogador veste a camisola de Portugal é para ganhar”, disse depois numa conferência com toda a imprensa, relativizando a goleada sofrida pelos EUA com a Bélgica e voltando a secundarizar a questão do resultado face a outros objetivos traçados para março.

Era neste contexto que chegava o segundo particular de Portugal, com opções muito assentes naquilo que eram os indicadores físicos dados pelos jogadores nas poucas sessões que o grupo teve entre um e outro jogo. José Sá estava confirmado como titular depois de Rui Silva ter sido o número 1 no México. Gonçalo Guedes e Pedro Gonçalves levantavam dúvidas no plano físico, e outros elementos poderiam ser poupados após fazerem quase todo o jogo no Estádio Azteca. Foi isso que aconteceu. Olhando para o jogo, teve o ponto comum com o da Cidade do México de trazer uma versão melhor na segunda parte depois de várias alterações ao intervalo. No entanto, e ao contrário do que aconteceu no nulo anterior em que as características de Vitinha mexeram com a partida, agora houve um elo que potenciou o melhor de Portugal: Bruno Fernandes.

Assistiu Trincão, assistiu João Félix, tinha estado perto de marcar, esteve em todas as melhores jogadas de Portugal. Quando tanto se fala da importância de nomes como Ronaldo, o médio que foi capitão nos dois jogos desta paragem mostrou que tem valências que o tornam imprescindível na Seleção a vários níveis. E, entre várias dúvidas que vão permanecer na cabeça de Roberto Martínez depois destes dois jogos de preparação tendo em vista a lista final para o Campeonato do Mundo, essa foi a maior certeza que sobrou.

O encontro começou com uma faceta mais atípica de Portugal, que entre uma má saída de José Sá e dois passes errados de Gonçalo Inácio no primeiro terço viu os EUA criarem perigo logo no segundo minuto num remate de Tillman travado pelo guarda-redes do Wolverhampton, antes de mais um lance em que Pulisic viu uma tentativa na área travada por Vitinha para canto (6′). Bruno Fernandes ainda tentou responder, com uma boa desmarcação e um remate de primeira travado com uma grande defesa de Matt Freese para canto (8′), mas nem por isso Portugal conseguia resolver os principais problemas: bloqueio do jogo central, pressão alta dos norte-americanos que conseguia quebrar ligação entre setores, pouco jogo na largura em velocidade, previsibilidade no ataque organizado com jogadores demasiado estáticos nas suas posições. Bruno Fernandes era o mais inconformado, Vitinha distribuía bem o jogo e pouco mais do que isso.

Entre os momentos em que o jogo roçava a fasquia do tédio e algumas saídas dos EUA que podiam criar outro tipo de perigos com uma melhor definição no último terço, o grande momento da primeira parte foi mesmo o único golo nos 45 minutos iniciais. Pulisic tinha acabado de fazer mais um remate com perigo que passou ao lado do poste da baliza de José Sá (35′), mas, na sequência de uma recuperação de Vitinha a meio-campo, Bruno Fernandes recebeu entre os centrais contrários o passe do médio do PSG, assistiu de calcanhar para a entrada de Francisco Trincão e o avançado do Sporting rematou de pé esquerdo em arco ao poste contrário para o 1-0 (37′). A confiança em posse aumentou com essa vantagem, mas nem por isso a qualidade coletiva global aumentou, com Portugal a terminar por cima, mas mais pela capacidade de ir gerindo os momentos do jogo do que propriamente por aquilo que conseguia fazer em termos ofensivos.

A segunda parte seria sempre uma “caixinha de surpresas” perante as sete alterações que Roberto Martínez promoveu ao intervalo, fazendo entrar Matheus Nunes, António Silva, Nuno Mendes, Rúben Neves, Ricardo Horta, Francisco Conceição e João Félix para os lugares de Diogo Dalot, Tomás Araújo, João Cancelo, Samu Costa, Vitinha, Francisco Trincão e Pedro Neto. Aqui, foi melhor. Os EUA ainda tiveram mais um remate enquadrado por Arfsten para defesa de José Sá, mas Portugal estava melhor. Mais confiante, com outra personalidade com bola a sair para o ataque, a ocupar de outra forma os espaços na reação à perda, bem mais “solto”. João Félix aumentou a vantagem na sequência de um canto trabalhado com mais uma assistência fantástica de Bruno Fernandes (59′), Rúben Neves teve um remate de meia distância para defesa de Freese (64′), Ricardo Horta atirou por cima num lance de potencial perigo que nasceu de um lançamento lateral (67′). A desenvoltura era outra, os setores estavam mais ligados, Nuno Mendes e Félix aceleravam as ações.

Pochettino ia tentando rodar alguns jogadores na frente para aumentar a velocidade e a capacidade de estar a pressionar mais alto, mas Portugal estava de vez dono e senhor do jogo, tendo mais um remate com perigo de João Félix agora de pé esquerdo que saiu ao lado (75′). Os próprios movimentos de Matheus Nunes em posse, procurando ocupar zonas mais centrais com António Silva um pouco mais aberto na direita para equilibrar os posicionamentos, permitiam que a Seleção construísse de outra forma os seus ataques, mesmo com uma tendência decrescente de qualidade com o avançar dos minutos. Ainda assim, havia ainda margem para algo não muito habitual na era Martínez, mas que acabou de novo por ser “invertido”: apesar de ser apenas a primeira convocatória, e à semelhança do que já tinha acontecido, a equipa continuou a evoluir.

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