Rui Borges aborda desafios do treino de alta competição e adaptação ao Sporting

  1. Treinador do Sporting, Rui Borges, no Fórum da ANTF.
  2. Rui Borges recebeu prémio de melhor treinador da época 2024/2025.
  3. O técnico do Sporting levou o time à vitória contra o Bodo Glimt.

Rui Borges, técnico do Sporting, marcou presença no Fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), em Albufeira, onde abordou as complexidades e os desafios do treino de alta competição. O treinador revelou a sua filosofia de trabalho e as dificuldades encontradas ao chegar ao clube de Alvalade, destacando a exigência do calendário e a importância da gestão humana no balneário. A sua intervenção foi um dos pontos altos do evento, que contou com a participação de outros nomes sonantes do futebol português, como Carlos Carvalhal e Paulo Fonseca.

Uma das maiores revelações de Rui Borges prendeu-se com o período de adaptação aos “leões”: “Quando cheguei ao Sporting, cheio de vontade, cheguei para lutar para ser campeão e, de repente, quero treinar e não posso treinar. Tenho jogos e jogos e tenho de ganhar. Foi uma dificuldade grande, para mim”, referiu o treinador. Esta dificuldade, segundo o próprio, foi agravada pela “ausência de tempo para trabalhar todos os momentos do jogo” e por um “sistema que não era muito o meu”, o que o impediu de aplicar plenamente a sua metodologia centrada no treino intensivo. O técnico defende que “uma equipa equilibrada em todos os momentos” está mais próxima do sucesso e acredita que “estamos mais preparados para vencer se estivermos bem idealizados com cada momento do jogo específico”.

Apesar do cenário exigente, Rui Borges sublinhou a importância da repetição do treino para a consolidação de ideias e hábitos. “Trabalhamos algo que é nosso e chega ao jogo e estamos melhores, porque o treinamos. O não treinar, vamos perdendo alguma coisa, pequenos hábitos, porque não treinamos sistematicamente”, concluiu. Além da vertente tática e física, o treinador destacou a relevância da relação humana com os jogadores. “Acredito muito neles”, afirmou, dando como exemplo a sensibilidade necessária para com jogadores que se tornaram pais recentemente. Esta abordagem humanizada, aliada a uma crença inabalável no treino, tem sido a base do trabalho de Rui Borges no Sporting, onde, entretanto, recebeu o prémio de melhor treinador da última época 2024/2025, uma distinção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) entregue pela ANTF. Henrique Calisto, presidente da direção da ANTF, elogiou o percurso do técnico, afirmando que a “carreira de Rui Borges é um exemplo para todos: de baixo para cima, com humildade, disponibilidade e carácter. Num contexto de crítica constante, este reconhecimento torna-se ainda mais justo”.

O treinador não esqueceu a “semana de exigência máxima em termos mentais” da reviravolta contra o Bodo Glimt, nos oitavos de final da Liga dos Campeões. “Tínhamos de virar um resultado de 3-0. Chegámos ao fim e virámos o jogo como virámos... Estás no alto, tens de respirar e prepará-los para o Alverca. A exigência vai do oito para o 80”, recordou. Nestes momentos, a gestão do esforço e da recuperação é crucial, como exemplificou ao dar duas folgas ao plantel: “Libertei-os um pouco, estiveram com as famílias e, nos dias de trabalho, tentei voltar a ligá-los. Eles perceberam que tiveram folgas, respiraram e agora tinham um jogo que precisavam de ganhar”. Esta estratégia, na sua opinião, permitiu aos jogadores “ligar-se mais rapidamente do que propriamente se estivessem a treinar todos os dias, já exaustos da minha voz”. A participação de Rui Borges no Fórum da ANTF, onde partilhou estas e outras reflexões, demonstra a sua visão abrangente e adaptativa do futebol moderno, que equilibra a rigidez tática com a flexibilidade humana, fundamental para o sucesso no alto rendimento.

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