Após a vitória sobre o Alverca por 4-1, Rui Borges, treinador do Sporting, partilhou os seus pensamentos numa conferência de imprensa. O técnico enfatizou a importância de manter o foco na equipa e recusou-se a ser desviado por questões externas. “Estou ansioso para jantar e estar com a minha família, para relaxar um pouco. Estamos focados em nós, é o que importa. Não estamos focados nos nossos adversários diretos, seja a frente ou atrás. A equipa deu essa resposta clara em campo, o único foco está em nós e no que podemos fazer. Agora vão para as seleções e nós vamos respirar um bocadinho”
, afirmou Borges, revelando o seu desejo de um merecido descanso após a intensidade dos jogos.
Questionado sobre um lance peculiar na partida, o treinador manifestou alguma estranheza. “Não sei, agora há o cartão branco, acho que era exigível. Tem de perguntar ao árbitro ou ao VAR, é uma situação estranha”
, disse, referindo-se a um momento que gerou dúvidas. Sobre a condição física de um dos seus jogadores, Borges explicou que a lesão é muscular e compreensível, dado o tempo de inatividade do atleta. “É apenas muscular. Esteve 15 meses parado e corre estes riscos. Eu costumo dizer que quando se volta, o corpo vai chiar em alguns sítios de vez em quando. Vai ser avaliado nos próximos dias”
, esclareceu o técnico, mostrando preocupação e cuidado com a recuperação dos seus atletas.
O treinador leonino também abordou o cansaço da equipa, que jogou ao quinto dia, após um confronto exigente. “Jogámos ao quinto dia, é natural e sentiu-se na primeira parte a ação corporal na equipa que a energia não era a mesma. Tentámos ser pressionantes desde início, até porque mais do que recuperar a parte física, era recuperar a mental do jogo do Bodo. Havia um misto de jogadores que tinham feito 120 e outros 70, jogámos ao quinto dia e não era desculpa a parte física. Era conseguir ligá-los à exigência do jogo, depois de um grande jogo e que marcou a semana”
, analisou Rui Borges, salientando a dificuldade de gerir o desgaste físico e mental dos jogadores.
Noutro contexto, Rui Borges tem-se destacado pela sua postura serena e focada, mesmo perante as críticas e polémicas que surgem no futebol português, apelidado de Portugal dos Pequenitos
. Em contraste com outros intervenientes do futebol, que se envolvem em retóricas de queixumes e ataques, o treinador do Sporting tem mantido o foco no trabalho da sua equipa. Sobre a postura do FC Porto em relação ao adiamento de um jogo, com declarações do presidente André Villas-Boas e do treinador Francesco Farioli, Borges limitou-se a classificar como ruído
e seguiu em frente. Quanto às declarações de José Mourinho, que afirmou não gostar mesmo
que o Sporting fosse campeão europeu, o técnico respondeu de forma elegante, sublinhando que deseja “sempre que os portugueses ganhem”
.
A postura de Rui Borges tem sido elogiada, especialmente num ambiente onde a caricatura do Tugão
parece prevalecer. Semana após semana, lesão após lesão, crítica após crítica, o treinador do Sporting tem vindo a colocar o foco onde o mesmo é necessário: no trabalho, o mesmo pelo qual pede, e bem, respeito
. A sua possível renovação contratual é vista como mais do que merecida, para alguém que, neste Portugal dos Pequenitos
, não passa de um intruso pela sua forma de agir. “Esquecem-se que o treinador é campeão nacional e merece mais respeito”
, atirou Rui Borges, após a goleada aplicada ao Bodo/Glimt, por 5-0, que valeu o apuramento para os quartos de final da Liga dos Campeões, reafirmando a sua exigência por respeito ao seu trabalho e conquistas.