Campanha eleitoral do Sporting: Bruno Sá critica gestão de Varandas e projeta intervenção da 'troika'

  1. Bruno Sá: "Tenho receio de ter de ser a 'troika' do Sporting"
  2. Sá questiona política de empréstimos e autoaumentos
  3. Dívida do Sporting é "500 milhões"
  4. Direção "alérgica aos sócios"

A campanha eleitoral para a presidência do Sporting acalmou os ânimos, mas a troca de acusações entre os candidatos à presidência, Frederico Varandas e Bruno Sá, continua a aquecer as hostes leoninas. As críticas de Bruno Sá centram-se na gestão financeira e na relação com os sócios, enquanto Varandas defende o seu legado. Sá projeta um cenário preocupante: “Tenho receio de ter de ser a 'troika' do Sporting, tal como um governo que empurrou para a frente e depois teve de chamar a 'troika'”.

As declarações de Bruno Sá, proferidas durante um debate eleitoral no canal do clube, sublinham a sua preocupação com a transparência e a sustentabilidade financeira. “Exijo é transparência. Nem contabilizei os juros que vamos pagar. Não me interessa empurrar com a barriga para a frente”, afirmou Sá. O candidato questiona ainda a política de empréstimos praticada pela atual direção, defendendo que o “Plano não é contrair empréstimos de 35 milhões. O Sporting fechou muito o clube a toda a gente. Podíamos falar das seis vezes que o presidente se autoaumentou”. Em seguida, Bruno Sá reforçou a ideia de que a direção de Varandas não se preocupa com os sócios, exemplificando: “Hoje de manhã recebi esta carta, em relação ao respeito pelos sócios. Tenho muitos amigos nas modalidades, vivo junto a alguns jogadores de futebol. Gostava que me esclarecessem se o boletim de voto tem um código que identifica em quem é que cada atleta vota. Isto é o que eu falo do respeito pelos sócios, saber em quem cada pessoa vota, é falar com os atletas e dizer 'cuidado em quem votam'”.

A dívida do Sporting é outro ponto central das críticas de Bruno Sá. O candidato abordou um empréstimo de 25 milhões e questionou o aumento significativo do passivo. “Conheci Frederico Varandas numa AG em que mostrou grande preocupação pelo passivo de 200 milhões, claro que agora 500 milhões é muito melhor. Havia dívidas a fornecedores de 35 milhões, agora são 119. É de louvar o investimento, mas gostava de saber como vai ser pago. É importante saber quem e como paga”, disse Sá. O candidato também manifestou o seu descontentamento com a gestão das infraestruturas e com os prémios da direção. “Os sub-16 jogam em meio-campo por falta de relvados. Falar no Polo EUL é estranho, quem lá manda é o Benfica. Rating, outra dimensão... são coisas muito estranhas. No meio houve exercícios semestrais positivos, é estranho continuar a autopremiar-se e a autoaumentarem-se, mas o passivo aumenta”. O debate sobre a dívida subiu de tom, com Sá a confrontar Varandas diretamente, afirmando: “Você fica muito incomodado quando é confrontado com a verdade”. A resposta de Varandas, embora não citada na íntegra, levou Sá a concluir, de forma cáustica: “Se calhar vai ter de entrar a troika no Sporting”.

A relação com os sócios foi um dos pontos mais escaldantes do debate. Bruno Sá acusou a direção atual: “Esta Direção é alérgica aos sócios. Só quer saber de clientes e da vertente comercial”. Esta afirmação foi uma resposta à defesa de Varandas sobre o aumento do número de sócios, que Sá criticou com ironia. Sá também questionou a forma como as Assembleias Gerais são conduzidas e o distanciamento do presidente em relação aos sócios. “Não me candidato contra ninguém, e sim pela democracia. Há um autoelogio constante, eu estou aqui para falar do presente e do futuro. O dr. Varandas é um presidente de clube entertainment. O Sporting vive distanciamento das pessoas, sentem-se esquecidas, as AG's não têm pessoas. Por isso estou aqui pela democracia e pelo debate. Há muito a melhorar, não é só ganhar”, argumentou Sá.

A questão da participação dos sócios nas AGs e a centralização do voto também foram focos de preocupação para Sá. O candidato expressou a sua insatisfação com a falta de debate. “Queria primeiro esclarecer a questão do debate. A primeira vez que me desloquei ao estádio falei com o dr. João Palma e perguntei se haveria debate; não foi dito nada. Só para repor a verdade, já que começamos desta forma. Mais tarde a minha mulher, mandatária, foi dada outra data, dia 4, mas eu tenho de me dar a conhecer pelos núcleos. O presidente não vai lá. Propus dia 12. Noto também grande preocupação em relação aos votos de correspondentes; quero abordar o tal respeito que diz que tem pelos sócios. Talvez devesse descentralizar e permitir que todos votassem. Tem tanto respeito que nem se dignou a falar aos sócios, a dar entrevistas. Tenho pena que venha cansado, mas era a única data disponível”, concluiu Sá.

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