A liderança no futebol português: reflexões sobre a situação atual

  1. Fernando Tordo fala sobre o futuro
  2. Frederico Varandas demonstrou arrogância
  3. A comunicação social está repleta de figuras
  4. A falta de controlo emocional prejudica a imagem

Fernando Tordo tem razão: “Sou doutras coisas, pertenço ao tempo que há-de vir, sem ser futuro…” Essa afirmação ressoa bem no panorama atual do futebol português, que parece estagnado numa dinâmica de rivalidades e provocações, longe de uma diplomacia que deveria ser inerente ao desporto.

Após uma semana fora, entre o Líbano, a Turquia e a Argélia, a reflexão é clara: a situação em Portugal não mudou. Discute-se incessantemente o penálti, o cartão mostrado ou não, e as redes sociais fervilham com soundbites de proporções inimagináveis. A comunicação social está repleta de figuras que devem ser respeitadas, mas, na verdade, a desqualificação verbal parece ser a norma, revelando uma de duas coisas: ou muito má educação, ou muito má resolução.

Reflexões sobre a liderança

Tomemos o exemplo do presidente do Sporting Clube de Portugal, Frederico Varandas. Este médico, que tem formação superior, demonstrou uma arrogância extraordinária. Se ao menos tivesse aprendido com os seus antecessores. Caro Varandas, sou ainda do tempo de João Rocha. Até de Sousa Cintra. Do tempo em que os presidentes do Sporting, antes de o serem, eram senhores. Mostravam, nas vitórias e nas derrotas, que o orgulho e a honra eram sempre superiores.

A defesa de um clube e a dignidade do seu presidente não se justificam por injúrias ou palavrões. É feita, como o senhor fez, ao longo dos últimos anos, por boas opções de gestão, pela requalificação do Estádio José Alvalade, pelo reforço da formação em Alcochete, pela conquista de títulos, obviamente, e pela sucessiva, consequente e gradual capacitação de quadros para uma estrutura mais capaz, mais completa e mais profissional.

Gestão emocional no desporto

É interessante observar como a excitação e a necessidade de protagonismo podem desviar a atenção do que realmente importa. Sabemos que a palavra larga tem sempre correspondência. Que acusações de frágil percepção e comprovação podem cair em saco roto ou ser alvo de respostas contundentes. O presidente, ao manifestar seu estado emocional diante dos jornalistas, fez exatamente o oposto do que deveria ter feito: deixar o seu rival a falar sozinho.

Esta falta de autocontrole é ainda mais evidente em situações de provação. Tal como em várias arenas do desporto, a provocação está sempre presente. Mas Varandas, médico e com gravata de seda, tem a obrigação de reter as emoções. Não se trata de eliminar todos os sentimentos, mas de não deixar que a ira sobreponha a razão. O que era esperado de um líder poderia ser apenas um sorriso na direção dos jornalistas e evitar explosões desnecessárias.

Impacto das rivalidades

As rivalidades alimentadas apenas em campo tornam-se um reflexo negativo do futebol em Portugal. Os adeptos esperam mais do seu líder. Queria dar uma justificação aos seus adeptos? Falava da vitória alcançada, que o coloca em vantagem para o segundo jogo. O futebol é, afinal, um desporto onde as emoções devem ser bem geridas, e a liderança, um reflexo da inteligência emocional de quem a exerce.

A falta de controlo emocional, portanto, não só prejudica a imagem do clube, mas também coloca em cheque a dignidade da posição. O presidente do Sporting, ao manifestar-se de forma exacerbada, fez com que toda a sua eventual razão fosse por água abaixo de forma tão rápida quanto a velocidade de um contra-ataque no futebol.

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