Nuno Santos detalha calvário de 15 meses após grave lesão no joelho

  1. Nuno Santos sofreu rotura total do tendão rotuliano.
  2. A lesão ocorreu em outubro de 2024.
  3. Recuperação levou 15 meses.
  4. Nuno Santos pensou em desistir do futebol. futebol.

Num testemunho emocionado, Nuno Santos, o esquerdino do Sporting, partilhou os detalhes da sua árdua recuperação após a rotura total do tendão rotuliano do joelho direito, sofrida em outubro de 2024. O jogador, que enfrentou um calvário de 15 meses, revelou que houve momentos em que a vontade de abandonar o futebol foi grande.

“Tive muitos momentos em que pensava em desistir. Não consigo perceber como consegui ultrapassar isto. Não consigo descrever. É passar barreiras e desafios atrás de desafios. Olho para trás e dá-me angústia. É a mesma coisa que tirar o maior prazer de uma pessoa na vida. Tive muitos momentos em que pensei várias vezes em desistir. A mim foi como tirar-me um sonho de menino”, confessou Nuno Santos, que também recordou o momento da lesão: “Senti a minha perna a falhar e senti que tinha partido alguma coisa. Tinha-me ficado a perna para trás. Não tive a dor no joelho logo. Mas pensei que algo tinha rebentado dentro do meu corpo. Não conseguia esticar a perna e tinha o joelho todo dobrado. Estava desesperado e, quase a perder os sentidos, sabia que tinha sido muito grave”. Sobre a operação, o jogador acrescentou: “Disse que não queria ser operado no dia a seguir, porque também tinha receio e medos. Tinha de me mentalizar para o que ia e pelo que ia passar. Depois vim logo para a Academia”.

A mulher de Nuno Santos, Diana, testemunhou a luta do companheiro: “Não estava a acreditar. Ele disse-me que era grave e foi aí que me caiu a ficha. Ele estava desanimado, mas é muito lutador e sabia que ia conseguir. Precisava de mim para tudo mesmo. Os nossos filhos não percebiam como uma lesão podia deixar alguém assim. Pensavam porque outros jogadores voltam antes e o meu papá não volta... Pôde acompanhá-los [aos filhos] muito nesta altura. Ver os treinos e jogos todos, algo que antes não acontecia. Foi difícil porque não havia melhorias. Era só ginásio e fisioterapia. Parece que nos sai um peso de cima por ele voltar a jogar.” Daniel Bragança, colega de equipa, também refletiu sobre a experiência: “É difícil qualquer palavra fazer-nos sentir melhor. Disse ao Nuno que ele estava num dos melhores clubes para conseguir recuperar da lesão. Tinha o nosso apoio, dos amigos e da família. Estares constantemente a repetir as coisas é uma das fases mais duras. Passas a fase em que tens o carinho das pessoas, onde tens a família a apoiar nos primeiros dias e isso parece que dá um mínimo conforto para aquilo que vais enfrentar. Mas a verdade é que é uma recuperação tão longa que passas por momentos muito difíceis. Só o facto de já conseguires correr e tocar na bola, parece que já começa a fluir de outra maneira. É muito importante para nós.”

Rui Borges, o treinador, elogiou a resiliência do jogador: “Cheguei e falei com o Nuno. É alguém que a gente aprende a admirar pela sua entrega, resiliência, pela parte competitiva, além do que é a sua qualidade técnica. Faz sempre coisas diferentes. Se há jogador que, dentro da dificuldade da lesão, poderia recuperar e ultrapassá-la era o Nuno. A resiliência dele é extraordinária, é algo que levarei comigo como exemplo. Se fosse eu, não teria a força e capacidade de trabalho e sofrimento que ele teve. Ele é muito invulgar. Vimos muitas vezes o Nuno passar cá para fora que já jogava na Supertaça com o Benfica e daqui um mês... e isso é algo que é dele. Só um ser humano com esta resiliência conseguiria voltar a treinar e estar com a equipa.” João Pedro Araújo, diretor clínico do Sporting, reforçou a gravidade da lesão: “É uma das lesões mais graves que um jogador pode ter. Pensámos que se há atleta que consegue vencer uma lesão desta dimensão, é o Nuno. Metade dos atletas não consegue voltar a fazer a atividade que tanto gostam. Ele traçava metas curtíssimas, altamente ambiciosas, quase a tocar a irrealidade - e em alguns casos foram -, mas conseguiu superar cada etapa. Superou com distinção este problema que infelizmente teve de passar.” O fisioterapeuta Rúben Ferreira adicionou: “Vimos o lance do lado oposto. No momento não nos apercebemos logo que era este tipo de lesão, até porque é uma lesão grave. No balneário percebemos bem a gravidade. Conseguia-se ver já um derrame muito grande. Ele não tinha condições para conduzir e fui eu que o levei a casa. Foi duro. Abalou-nos a todos. Inicialmente na recuperação precisava de ajuda para coisas mais pessoais, de higiene. Precisava de ajuda para tudo mais. Esteve sensivelmente dois meses com uma tala num joelho totalmente em extensão. Temos de criar micro etapas para que o atleta esteja sempre motivado e perceba que semanalmente existem objetivos diferentes. Temos de manter a coisa um bocadinho mais viva. Ele achava que ia acabar a época [2024/25] bem, mas começou a pré-época em reabilitação e a época em reabilitação. Foi altura em que o vi um pouco mais cabisbaixo. Porque vê todos os colegas a voltarem, a começar do zero e começar a pensar que teria de ir para o estágio de pré-temporada.” Concluindo, Nuno Santos afirmou: “Sei que ainda vou dar alegrias à minha família e ao Sporting. O meu objetivo é ser feliz a jogar à bola. Senti a rotina num jogo importante como aquele [contra o Ath. Bilbao] e senti-me importante no grupo. Foi uma sensação muito boa”.

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