Numa conversa reveladora, um empresário do futebol partilhou a profunda influência que José Mourinho teve na sua carreira, desde os tempos de jogador até à atualidade como gestor e consultor. Aos 32 anos, este gestor fez uma transição planeada e precoce da carreira de jogador para a de gestor, um caminho que começou a idealizar ainda dentro das quatro linhas.
A preparação para a vida pós-jogador foi meticulosa. “Passei anos a preparar-me, ainda como jogador. Estudei muito. Fiz muitas perguntas sobre tudo o que envolve a carreira de jogador e, agora, gestor. E juntei a experiência de anos como profissional em diversos países”, revelou o empresário. Esta dedicação e experiência em diferentes contextos, incluindo a fluência em grego após anos a jogar na Grécia, foram determinantes para o convite do Sporting para levar as academias do clube para aquele país. Embora o projeto não tenha tido continuidade com o Sporting, a experiência abriu portas, incluindo a colaboração com o Benfica na internacionalização das suas escolas de formação. “Entretanto surgiu o Benfica e a internacionalização das escolas de formação. E tenho clientes em diversas partes do mundo. A nossa missão é ajudar cada cliente a encontrar o seu caminho porque não só não somos todos iguais como não vivemos as mesmas coisas. O que é bom para um pode não ser bom para outro”, explicou sobre a sua filosofia de trabalho.
A admiração por José Mourinho é evidente. O gestor descreve Mourinho como um mentor crucial na sua formação, tanto na gestão de carreira como na vida. “Tenho um carinho, um respeito e uma admiração enorme por José Mourinho. Considero que ele foi o meu mentor em tudo o que acabou por ser a gestão de carreira e até de vida. Era jovem, olhei para ele e disse para mim mesmo: tenho de ser como o José Mourinho. Tenho de ser instruído, educado, saber comunicar, saber fazer, ter qualidade e critério em tudo o que faço. Queria mesmo ser como ele”, partilhou. Esta aspiração levou-o a ter uma relação próxima com Mourinho, que o acarinhavava e via nele inteligência e maturidade nos tempos do União de Leiria. Mais tarde, Mourinho até lhe “abriu as portas do Chelsea para eu aprender como se gere um clube daquela dimensão e nível de profissionalismo”. Para o empresário, o sucesso de Mourinho no FC Porto não foi obra do acaso: “Ele deixou em Leiria a semente e foi um deleite ver o percurso e trabalho que fez no FC Porto, com dois títulos europeus. Nada foi feito por acaso. Tudo foi preparado. Ele preparou uma estrutura e preparou os jogadores. E criou um percurso”. O gestor acredita que Mourinho “vê coisas que os outros não veem” e “conhece bem a natureza das pessoas”, o que, em sua opinião, será crucial para o sucesso no Benfica, “se ele tiver tempo, é o que vai acontecer no Benfica. Ele tem o projeto todo na cabeça. Precisa só que o sigam e acreditem no processo”.
Além da gestão de carreira e da consultoria internacional, o empresário também está empenhado em ajudar o desenvolvimento do futebol em Angola, o seu país natal. Através da Federação e do Ministério dos Desportos de Angola, já está a colaborar, salientando a importância de um “enorme trabalho de base” que seja bem feito e “faça sentido para Angola, não uma mera cópia de outros modelos”. Para ele, é fundamental que o trabalho seja adaptado à realidade local: “De que vale a pena ir ao Barcelona contratar um treinador? Mas ele conhece Angola? Conhece a nossa maneira de ser e pensar?”. O objetivo é “ajudar a reestruturar os clubes” e “ajudar na internacionalização, a ajudar os talentos angolanos a serem apetecíveis em mercados mais competitivos, naturalmente europeus”. Conclui que “nada na vida é sorte. É trabalho. Mas um trabalho direcionado e eficaz. Com esse trabalho, Portugal é o palco ideal para grandes talentos angolanos iniciarem uma carreira internacional de sucesso”.